Ria rios

Rindo no ringue?
Ria, sim.
Ria do meu golpe:
estilingue.
Ria de mim.
Mas, antes de tudo,
antes que eu esqueça,
antes do fim,
faça-me um favor:
me ceda o seu rim.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 23 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 8 de maio de 2013 23:53

    Vc tem razão, Marcos. Se a correria me permitir, surgirei lá no lançamento.

  2. Marcos Silva 8 de maio de 2013 21:27

    Ora Lívio, todo mundo (eu, você e as torcidas do Corinthians e do Flamengo) diz coisas corriqueiras e também diz coisas profundas. Não quero ser grosseiro mas eu prefiriria estar comentando outros belos poemas seus e dos demais colaboradores deste blog ao invés de ficar explicando o que nem precisa ser explicado. Por favor, publique mais poemas bons. Tenho certeza de que meu pedido ecoa o desejo de muitos.
    Apareça no lançamento do livro em homenagem a Luiz Damasceno. Jarbas e outros declamarão boa poesia.

  3. Marcos Silva 8 de maio de 2013 19:06

    Ângela:

    Seda é bom.

    “Não vai desbotar / lilás cor do mar / seda cor de baton / arco-íris, crepon / nada vai desbotar / brinquedo de papel machê.” (João Bosco, “Papel machê”)

    “Pode ser um astronauta / Ou ainda um passarinho / Ou virou um pé de vento / Pipa de papel de seda / Ou quem sabe um balãozinho”
    (O astronauta – a letra é de Vinicius?)

  4. Lívio Oliveira 8 de maio de 2013 16:51

    Fico impressionado com a humildade do grande Marcos Silva. Claro que nunca diz nada “corriqueiro” ou “destituído de originalidade”. Claro!

  5. Angela Magna 8 de maio de 2013 15:46

    Meu deus! Que belo. Ainda há seda na praça?

  6. Marcos Silva 8 de maio de 2013 9:20

    Obrigado, Lívio, vc é sempre muito gentil comigo. Não há nada de genial nem de lição no que eu disse. Na verdade, essa fala é comentário a um comentário de José Saddock. Considero o conteúdo dessa minha fala corriqueiro, destituído de originalidade. Mas fico contente com sua receptividade.

  7. Lívio Oliveira 8 de maio de 2013 8:12

    E gostei muito desse trecho: “(simultaneidade de ângulos de visão, a partir de Cézanne e mais adensada ainda pelos cubistas, problematização de espaço e tempo, tão forte em Dostoiévski e Joyce, presente mesmo em nosso Machado de Assis).” Genial!!!

  8. Lívio Oliveira 8 de maio de 2013 8:10

    Situar-me no “universo das poéticas pós-aristotélicas, que vem ao menos desde o início da Modernidade…”: Isso sempre foi tudo o que desejei na vida. Claro que deve ser muito bom. E o bom mesmo é que o Professor Marcos Silva me abriu os olhos, vez por todas. Por sinal, abre sempre os olhos de todos. Um desvelamento permanente. Todos aprendemos muito com seus fortes e profundos ensinamentos. Obrigado, Professor, por mais essa lição!

  9. José Saddock 7 de maio de 2013 12:22

    Meu garoto: Quisera ser aposentado para passar o dia todo nesse carrossel vendo o enigmático sorriso de Mona Lisa, imaginando-a brincando Pastoril, celebrando o sorriso através da expressão corporal. Imaginar Mona Lisa dançando Pastoril, de qualquer ângulo, é vivenciar na gestualidade licenciosa desse folguedo a compreensão fenomenológica do sorriso, é absolver a dramaticidade configurada numa estética das danças medievais, mas que atravessa o tempo e o espaço com um estilo visível para exaltar o riso através do olhar e da escuta, dos movimentos do corpo e do gesto. E isso, meu garoto, você compreendeu muito bem: nota 10. Abraço de José.

  10. Marcos Silva 6 de maio de 2013 23:20

    José: Em meu comentário sobre esse poema, salientei a habilidade do autor em relação a sonoridades expressivas, veja acima. Tenho grande admiração pelo riso (citei Khlébnikov em minha resposta a Jarbas sobre ocaso lobinho). Ao mesmo tempo, lembro do riso em Shakespeare, contraponto para as maiores tragédias.(os bobos da corte…), e me recordo do riso em Mamma Roma, de Pasolini, com a magnífica atriz Anna Magnani – ela rindo no casamento do pai de seu filho com outra mulher é uma das cenas mais angustiantes do cinema. Magnani começou a carreira como comediante, Visconti a convidou para papéis dramáticos. Essas coisas estéticas são tão misturadas e complexas, não é mesmo? Os belos jovens caçoam do velho Von Aschenbach, o que Mann (e, depois, Visconti) quiseram dizer com isso? Por que não convidaram Dercy Gonçalves para fazer A visita da velha senhora, de Durrenmatt, no Brasil? E Jerry Lewis está muito bem em “O rei da comédia”. Entre o Tiro ao Álvaro e Haroldo de Campos, não podemos esquecer de Álvaro de Campos.

  11. José Saddock 5 de maio de 2013 20:17

    Estou a falar de Tiro ao Alvaro, da sonoridade do poema, da arte do sorriso… Se há pós-modernismo nisso, caiu na vala comum do primitivismo, ou seja, no silêncio de um grito, hospedado aqui por augustolula através de Haroldo de Campos.

  12. augustolula 5 de maio de 2013 16:49

    Encantação pelo riso- Khliebnikov transcriado por Haroldo de Campos
    Ride, ridentes!
    Derride, derridentes!
    Risonhai aos risos, rimente risandai!
    Derride sorrimente!
    Risos sobrerrisos – risadas de sorrideiros risores!
    Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
    Sorrisonhos, risonhos,
    Sorride, ridiculai, risando, risantes,
    Hilariando, riando,
    Ride, ridentes!
    Derride, derridentes!

  13. Marcos Silva 5 de maio de 2013 15:38

    Saddock:

    Agradeço pela resposta, você se situa no universo das poéticas pós-aristotélicas, que vem ao menos desde o início da Modernidade (simultaneidade de ângulos de visão, a partir de Cézanne e mais adensada ainda pelos cubistas, problematização de espaço e tempo, tão forte em Dostoiévski e Joyce, presente mesmo em nosso Machado de Assis). Ao longo de minha vida, aprendi a revalorizar a Estética clássica sem desmerecer o experimentalismo moderno mas respeito os radicais da Modernidade, como você, dotados de coragem experimental – por mares nunca dantes navegados, para evocar um Camões tão clássico. Apenas lamento o nascimento de vanguardas (às vezes de grande talento) sem preocupação com retaguardas, linha de frente suicida nas batalhas da vida.
    Quanto às metáforas usando aves, existem beija-flores, urubus, carcarás, águias… Além de galinhas, pavões, cisnes brancos, pombos. Ouvi falar até de esporte chamado tiro ao pombo.

  14. José Saddock 5 de maio de 2013 15:10

    Marcos silva:
    Por não concordar que desde Aristóteles poética se dirige ao universal, imaginei um alvo, uma razão de ser poética. Contudo, não atribui a ninguém esse honroso papel imaginário, nem a um beija-flor.

  15. Marcos Silva 5 de maio de 2013 13:18

    Saddock:

    Desde Aristóteles, Poética se dirige ao universal. Mas talvez vc tenha razão.

  16. José Saddock 5 de maio de 2013 13:08

    Marcos Silva: também entendo o verso como figura poética, mas como pedra atirada de estilingue; que o alvo não seja um beija-flor.

  17. Lívio Oliveira 5 de maio de 2013 12:44

    Estamos, evidentemente, no campo do lúdico. Só assim vale a pena.

  18. Marcos Silva 5 de maio de 2013 11:37

    Saddock: entendo o verso sobre rim como figura poética da depuração, pedido de ajuda na purificação do mundo. Tratar como mutilação do outro seria apequenar o poema e o poeta.

  19. José Saddock 5 de maio de 2013 11:16

    Caro Lívio. Ria rios me fez lembrar de um médico amigo meu: Saddock, o médico tem que ser mais agressivo que a doença! Alguém deve estar se sentindo amputado… rsssss

  20. Anchieta Rolim 5 de maio de 2013 11:10

    Valeu, Lívio Oliveira. Poemassa!

  21. Jarbas Martins 5 de maio de 2013 10:53

    “…veja só se você não ficas”.hilário não, poeta Lívio? fica aqui a lição: entre o tédio e o erro num verso ou numa frase, imprima-se o erro de digitação.

  22. Marcos Silva 5 de maio de 2013 10:52

    Gosto muito do título desse poema. Ele me lembra – sem qualquer traço de imitação e até por oposição – a canção clássica americana “Cry me a river”.
    A poesia de Lívio prima por uma inteligente sonoridade, com ecos e aliterações que não são gratuitos.
    Parabens.

  23. Jarbas Martins 5 de maio de 2013 10:46

    beleza de poema Lívio. lúdico, alegre e construtivo. posso lhe dizer uma coisa se eu organizar a minha próxima ANTOLOGIA E ONTOLOGIA DO RISO, o teu poema vai entrar. e veja só se você não ficas em boa companhia: – Cruz e Souza, Caetano Veloso, Klebnikóv, Paulo Leminski, Henri Heine…quer mais? abração, Poeta.

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