Ringo Starr, uma lenda eleita pelo tempo

A longevidade começa a fazer justiça ao menos admirado e lembrado entre os Beatles.

Ringo Starr, o clown do Fabfour, completa 76 anos neste 7 de julho.

Por ironia, o mais velho do quarteto (nascido em 1940) quando as bombas alemãs na Segunda Guerra caíam sobre uma nevoenta Liverpool, resiste ao tempo como um verdadeiro patrimônio vivo do Rock.

A guerra simbolizada pelo bombardeio germânico mostrariam que as coisas nunca seriam muito fáceis para Richard Starkey. Após vencer uma infância pobre e problemas de saúde, já músico, teve de vencer outras batalhas.

Uma das mais emblemáticas foi a resistência dos fãs do baterista Pete Best a quem substituiria quando a banda ainda vivia no anonimato. Depois viriam as críticas do maestro George Martin que o trocou por uma músico de estúdio logo em “Love me Do”, a primeira gravação para o selo Parlophone.

Determinado, Ringo trabalhou duro até ganhar a confiança dos companheiros e do produtor. Mesmo assim teve que aprender a ser apenas um coadjuvante ofuscado pela genialidade da dupla Lennon- McCartney e pelo talento precoce, crescente e represado de Harrison.

Em sua fase Beatle assinou apenas duas faixas – “Dont Pass me By”, escondida no Álbum Branco e a oceânica “Octupus´s Garden” que, dizem as más línguas, foi composta com ajuda de George.

Talvez tenha sido ironicamente como cantor o momento mais marcante de Ringo na banda para os fãs: sua interpretação em “With a little Help From My Friends, faixa marcante do “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”. Fez o vocal principal também em faixas secundárias como “I Wanna Be you Man” e os countries “Act Naturally” e “What Goes On”.

Em que pese a pecha de instrumentista medíocre rotulado por uma legião de detratores, colegas bateristas o elogiam pela precisão rítmica e inventividade em faixas como “I Fell Fine”, “Rain”, “A Dain in the Life”, “Come Together”, além do antológico solo gravado no “Abbey Road”.

Quando as desavenças atingiam o clímax entre seus ex companheiros era Ringo o ponto de equilíbrio. Conseguiu até reunir a “banda” para gravar a canção “I´m the Greatest”, lançada em 1974.

Umas poucas razões elencadas acima para que o mundo possa celebrar a longa vida de um instrumentista que se não foi o melhor, certamente figura entre os mais carismáticos da história da música pop.

Afinal não é qualquer baterista que consegue lançar vinte álbuns solos e continuar na estrada.

Saravá, Ringo Starr!

Pai de Sarah, jornalista, músico e gaitista chegado às coisas da história e da arte com um sentimento voltado para a budicidade da vida. [ Ver todos os artigos ]

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