Rio da vida e águas da infância em prosa e verso

Por José de Castro*

“O rio de muitas águas que passam
é sempre o mesmo rio diante do meu olhar.”
(José de Castro)

1. Rio da vida

O rio, antes calmo, se apressa na corredeira. Por entre o vão das pedras, despenca em cachoeira. Nuvens de água, carícias de vento em fios de prata. Abaixo, se recompõe em remanso, espelho cristalino onde descanso os meus olhos. Mais à frente, voltam as águas a correr. Que mistério é esse de águas que correm, passam e deixam o rio no mesmo lugar? Fluem as águas. Mas o rio ali sempre está. Outras águas, mas é sempre o mesmo rio ante o meu olhar. Como pode um rio assim estar indo para o mar? O rio ali está para nos dizer que ele é como o momento: passa sem a gente o notar. Para dizer que todas as vidas fluem para o (a)mar. Assim como os rios, as lágrimas também correm. Mas existe um sorriso para as adoçar. Talvez por isso os rios se chamem rio. Rio, sorrio. E adoço o mar.

2. Águas da infância

Rios são
as águas
da infância
cachoeirando
vida afora.

Contemplo o rio.
Ali navega
a minha infância
na canoa
das lembranças.

Rio pequeno
e pleno de vida,
serpente líquida
a deslizar por entre
barrancos e pedras,
entre verdes capins,
deixando um rastro
prata e cristal
pelos mundos sem fim.

O tempo passa,
as águas passam…
Mas o rio permanece.
Ainda hoje, os rios
cachoeiram em mim.
Águas da infância
jamais se esquece.

*José de Castro, jornalista, escritor e poeta. Autor de livros infantis. Membro da SPVA/RN e da UBE/RN. Contato: josedecastro9@gmail.com

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