Riscos para o patrimônio

Caros amigos:

Li a matéria da Tribuna do Norte sobre graves problemas enfrentados pelo patrimônio cultural de nosso estado. Se procurarmos mais, encontraremos exemplos igualmente graves. O Instituto Histórico e Geográfico, do qual sou membro, possui um acervo documental precioso e fundamental para a pesquisa sobre nosso estado, utilizado por nomes contemporâneos tão importantes quanto Pedro Puntoni (USP e CEBRAP). Carece, todavia, de muito mais recursos pois requer manutenção permanente (combate a pragas que atacam papel, restauro) e finda dependendo do dinheiro até de alguns sócios mais prósperos e abnegados. Esses sócios merecem nossa gratidão mas a obrigação de sustento de um órgão tão importante é pública!
A Biblioteca Câmara Cascudo também me preocupa muito. Por um lado, ela desfruta de excelente localização e leva o nome do escritor mais importante do RN. Por outro, além das deficiências inadmissíveis em termos de instalações que a reportagem indica (ausência de energia elétrica! socorro!), considero o acervo disponível modesto em relação à importância que a biblioteca possui. Sou favorável à doação de bibliotecas privadas às instituições públicas, desde que garantida a preservação e o acesso aos materiais doados. Intelectuais de nosso estado que possuem excelentes acervos pessoais – alguns são verdadeiros bibliófilos, não é, João da Mata? – poderiam encabeçar uma campanha de doação de suas preciosidades para aquela biblioteca, estipulando condições de preservação e difusão, é claro.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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