Robert Burns

Deu no excelente papofurado, do poeta e amigo Jairo (aqui)

Poeta da Despedida e do Haggis

“Esse valor do elemento exótico, tão claro no caso provinciano de Burns, é evidente em altos níveis”. FP, Idéias Estéticas.

Robert Burns ( 1759/ 1796) é um dos maiores poetas em língua inglesa do setecentos. Um poeta pré – romântico muito cultuado no seu país natal, a Escócia. Tomei conhecimento do poeta e vi como ele era querido quando da minha viagem a esse país maravilhoso e frio há 15 anos atrás. Poeta nacional da Escócia sua obra é composta de poemas, canções e baladas. Na Escócia é possível comprar seus livros a um preço bem baixo. Em Edimburgo (Edinburgh pronuncia-se edimbráh) adquiri as obras completas do poeta num belo livro de capa dura ilustrado com oitenta belas ilustrações em preto. “ The Complete Illustraded Poems, Songs & Ballads of Robert Burns. Chancellor Press first published in 1990. Outro belo livro do autor é sua biografia ilustrada escrita pelo Ian Grimble – Robert Burns- Lomond Books.

No Brasil esse poeta ainda é pouco conhecido. Existe uma tradução de 50 poemas do poeta realizada por Luiza Lobo e publicada pela editora Relume Dumará.

Em dos mais belos poemas de Álvaro de Campos /Fernando Pessoa; Passagem da Horas, o poeta – grande leitor de Robert Burns- escreve de quando lia Burns em dias tristes. Parte desse poema foi musicado por Francis Hime no belo disco “A Música em Pessoa”

“Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver, ….
“Adeus, amor, eu vou partir, ouço ao longe um clarim…”.

Quem nunca ouviu esse verso? Ele é parte de uma das canções mais famosas do mundo e faz parte da trilha sonora do belo filme “A Ponte de Waterloo” de 1940 dirigido por Mervyn LeRoy e estrelado por Robert Taylor, C. Aubrey Smith, Maria Ouspenskaya e Vivien Leigh. Poucos sabem que essa canção é uma versão adaptada de um poema do poeta Robert Burns “Auld lang syne” (“Aos tempos passados”) e recebeu no Brasil uma versão muito popular dos compositores Alberto Ribeiro e João de Barros “o Braguinha”. Veja abaixo o texto original e a versão dos compositores brasileiros.

Essa bela canção também aparece no filme Guga Din de 1939 dirigido por George Stevens baseado em Rudyard Kipling e estrelado por Gary Grant, Douglas Fairbanks jr. e Victor Maclaglen. O filme narra as aventuras vividas por três soldados ingleses na luta contra os nativos hindus em Tantrapur. Eles são ajudados e salvos pelo jovem Gunga Din ( Sam Jaffe). Filme inspirado em um poema de Rudyard Kipling foi refilmado em 1962 por John Sturges com o título ”Os três Sargentos”.

Auld Lang Syne
Robert Burns

Should auld acquaintance be forgot,
And never brought to mind?
Should auld acquaintance be forgot,
And auld lang syne!
Chorus.
For auld lang syne, my dear,
For auld lang syne.
We’ll tak a cup o’ kindness yet,
For auld lang syne.
And surely ye’ll be your pint stowp!
And surely I’ll be mine!
And we’ll tak a cup o’kindness yet,
For auld lang syne.
For auld, ….
We twa hae run about the braes,
And pou’d the gowans fine;
But we’ve wander’d mony a weary fit,
Sin’ auld lang syne.
For auld, …

Valsa da Despedia
Old long Since.
Compositor: Robert Burns

Versão de Alberto Ribeiro e João de Barros “o Braguinha”

Adeus amor
Eu vou partir
Ouço ao longe um clarim
Mas onde eu for irei sentir
Os teus passos junto a mim
Estando em luta
Estando a sós
Ouvirei a tua voz.
A noite brilha em teu olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração
Do seu.
Então na terra
Onde for
Viverá o nosso amor.
A luz que brilha em teus olhar
A certeza me deu
De que ninguém pode afastar
O meu coração
Do teu.
No céu na terra
Onde for
Viverá o nosso amor.

Ouça aqui a versão de Auld Lang Syne


Haggis

O Haggis é o prato típico da Escócia. Uma espécie de pudim salgado feito com miúdos de ovelha. Muito gostoso e muito apreciado pelos escoceses. Robert Burns escreveu um belo poema em homenagem a essa guloseima que caracteriza a nação escocesa.

Address to A Haggis

Fair fa’ your honest, sonsie face,
Great chieftain o’ the pudding-race!
Aboon them a’ yet tak your place,
Painch, tripe, or thairm:
Weel are ye wordy o’a grace
As lang’s my arm.
The groaning trencher there ye fill,
Your hurdies like a distant hill,
Your pin was help to mend a mill
In time o’need,
While thro’ your pores the dews distil
Like amber bead.
His knife see rustic Labour dight,
An’ cut you up wi’ ready sleight,
Trenching your gushing entrails bright,
Like ony ditch;
And then, O what a glorious sight,
Warm-reekin’, rich!
Then, horn for horn, they stretch an’ strive:
Deil tak the hindmost! on they drive,
Till a’ their weel-swall’d kytes belyve
Are bent like drums;
Then auld Guidman, maist like to rive,
Bethankit! hums.
Is there that owre his French ragout
Or olio that wad staw a sow,
Or fricassee wad make her spew
Wi’ perfect sconner,
Looks down wi’ sneering, scornfu’ view
On sic a dinner?
Poor devil! see him owre his trash,
As feckles as wither’d rash,
His spindle shank, a guid whip-lash;
His nieve a nit;
Thro’ blody flood or field to dash,
O how unfit!
But mark the Rustic, haggis-fed,
The trembling earth resounds his tread.
Clap in his walie nieve a blade,
He’ll mak it whissle;
An’ legs an’ arms, an’ hands will sned,
Like taps o’ trissle.
Ye Pow’rs, wha mak mankind your care,
And dish them out their bill o’ fare,
Auld Scotland wants nae skinking ware
That jaups in luggies;
But, if ye wish her gratefu’ prayer
Gie her a haggis!

Saudação a um Haggis
Versão de Luiza Lobo

Boa sorte a tua cara digna feliz,
Grande capitão dos pudins!
Acima de todos assume teu posto,
Tripas, miúdos ou pança:
Bem mereces uma tão longa prece
Como meu braço
A gemente travessa já preenches,
Teu travesseiro qual um morro distante.
Teu pregador consertaria um moinho
Se preciso fosse,
E por teus poros destila um orvalho
Qual gostas de âmbar
Vede o camponês a faca secar
E com ágil rapidez te cortar!
trinchando as entranhas em jorros brilhantes,
Como uma barragem;
E ai, oh, que gloriosa visão e que
Odor rico e penetrante!
Então, colher por colher, trincham e espetam:
Me salva-se quem puder, e lá se atiram,
Até que as bem recheadas panças ficam
Roliças qual tambores;
E o velho Anfitrião, a explodiir,
Uma prece recita.
Há quem diante do rgout francês,
Ou do olio, que faria uma porca enjoar,
Ou um fricasse que a faria vomitar,
Com todo o seu desprezo,
Que zombeteiro e desdenhoso desfaça
De um tal jantar?
Pobre diabo! Vê-lo com seu refugo,
Frágil como um mirrado junco,
A perna fraca qual uma chicotada,
Punho fino qual noz;
Lançar-se na enchente ou campo sangrento-
Como é incapaz!
Mas vede o camponês, alimentado de haggis,
A terra tremula estremece a seus pés,
Ponde na sua mão forte uma navalha
E ele a fará assoviar;
E pernas, braços, cabeças cortará
Como topos de cardo
Oh, pobres, que do homem vos ocupais,
E distribuis seu quinhão de alimento,
A velha Escócia não quer pratos pestilentos,
Espirrando em travessas;
Mas, se quiserdes seu agradecimento,
Daí- lhe um bom haggis

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Comentários

There is 1 comment for this article
  1. João da Mata 8 de junho de 2010 0:10

    EPITÁFIO

    Robert Burns / por John Keats

    “Tudo é fria beleza; e nunca finda a dor”.

    Nas invisíveis asas da poesia,

    foi a música quem lhe segredou,

    esse hino que ao fundo vai se perdendo,

    e se repetindo, partindo-se, à estranha sorte,

    do sino que retorna para quem o repicou:

    o poeta, assim como o rouxinol,

    não nasceu para a morte.

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