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Rosalvo Acioli

GAZETA DE ALAGOAS – Caderno B 5

Inventário de cinzas, novo livro de Rosalvo Acioli, aborda sentimentos subjetivos como a solidão, a dor e a morte em poesias reunidas.

Autor de Sonhos imaginários e Maceió, livros de poesia, o escritor alagoano Rosalvo Acioli volta à cena literária nacional com a publicação de seu novo livro, Inventário de cinzas. Em entrevista à Gazeta, o autor contou detalhes sobre a obra e sua publicação. Confira:

 Gazeta. Inventário de cinzas é sua terceira obra de poesia. Como foi feita a construção do livro?

Rosalvo Acioli. Os poemas de Inventário de cinzas foram escritos da segunda metade da década de 1970 até o final da década de 1980. Guardei o livro por muitos anos, período de tempo em que reescrevi e revisei alguns poemas. No final de 1988, enviei o livro para a José Olympio, no Rio de Janeiro, que foi aprovado pela editora com o aval do diretor editorial Tex Correia, com publicação prevista para 1989. Porém, por causa da inflação muito alta e incontrolável, a edição de Inventário de cinzas foi cancelada. Por isso e, sobretudo, por me decepcionar com o meio literário em que convivia naquele tempo, decidi me preservar e me dedicar à literatura reservadamente.

 O livro representa seu retorno à literatura poética alagoana, após 26 anos. Esteve sem escrever durante esse tempo? O que o motivou a voltar ao gênero?

Embora tenha me afastado por um longo tempo do meio literário, continuei escrevendo poemas e outros textos de diferentes gêneros no transcurso desses 26 anos. Publiquei notas, artigos de crítica e ensaios em jornais no estado, inclusive na Gazeta de Alagoas. Por solicitação e incentivo de parte significativa de escritores de outros estados, com os quais mantinha contato desde o início dos anos de 1980, idealizei e fundei em 2009 a revista Página Aberta, em que edito e publico textos inéditos de escritores brasileiros e estrangeiros. Também em 2009, iniciei a realização de encontros literários a cada mês em minha residência. E em 2011 e 2013, idealizei e promovi, através da revista Página Aberta, o Fórum Literário Internacional, trazendo escritores brasileiros e estrangeiros para proferirem palestras sobre a literatura em Maceió. Portanto, essas iniciativas, como a publicação da revista, me motivaram a retomar a publicação dos meus livros. Em 2012, publiquei Tempo de memória, livro de ensaios e de crítica literária, impresso na Imprensa Oficial Graciliano Ramos através do Programa de Incentivo à Cultura Literária. Agora, foi editado pela Ibis Libris, do Rio de Janeiro, o livro Inventário de cinzas. Outras obras de minha autoria serão publicadas em momento oportuno.

 O título da obra remete à ideia de renovação e renascimento. Isso estabelece relação com o momento vivido atualmente, de revinda à poesia?

Sim, porque nele os significados da renovação, do renascimento e da criação estão presentes por diversas razões. O título Inventário de cinzas expressa o conteúdo de um conjunto de poemas que estão inseridos em três partes do livro, constituídas pelas suítes “Menino antigo”, “A noite meditada” e “Poemas aos mortos ainda vivos”. Nos poemas revelo a vivência, a experiência e a perplexidade da minha condição de ser e do estar no mundo, na passagem da vida, que também é a condição de todos os seres humanos.

 A solidão, a dor, a morte e outros sentimentos subjetivos fazem parte das temáticas das poesias reunidas em Inventário de Cinzas. O senhor acredita que temas universais, como esses facilitam na identificação dos leitores com a obra?

Facilitam, sobretudo, porque ao tratar os temas solidão, dor, morte, saudade, amor e outros assuntos, sugiro o diálogo e a intermediação de referenciais da filosofia, da religião, da antropologia, da sociologia, da ciência no contexto do conhecimento e da cultura ocidental, que tem como modelo icônico o filósofo Sócrates.

 O lançamento do livro acontece nesta segunda-feira, dia 25. Como está a expectativa para o lançamento?

Significativa, por constatar o crescente interesse das pessoas no lançamento e na noite de autógrafos de Inventário de cinzas e também por elas quererem assistir a palestra que proferirei sobre o tema “A Poesia, sua importância e suas repercussões.”

 Além disso, suas obras Sonhos Imaginários e Maceió foram extremamente consagradas pela crítica, e o primeiro livro foi indicado ao Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de Melhor Livro de Poesia em 1985. Em relação a isso, existe uma ansiedade para a repercussão e sucesso de Inventário de Cinzas?

Naturalmente que sim. Todo escritor almeja que seu livro seja lido, avaliado e tenha seu valor reconhecido, se houver merecimento. Sempre considerei que mais importante que o autor, é a sua obra literária.

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O livro está disponível no site da Livraria Cultura:

 http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42269876&termo=Inventario

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Tácito Costa

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