Saberes e sabores em livros e mesas

A noite ainda não tinha chegado. O Sol ainda se permitia os últimos raios no final do dia. E com as ideias apoquentadas, a mágica de Oz Any chegou apressada, aperreada, estava avexada. E sem check-list, parece que ela havia esquecido, de fazer ou trazer. Arregaçou as mangas, e começou o arranca rabo. Estica dali, arrasta daqui. Liga a tomada, testa a lâmpada; arrasta mesa para um lado, e volta para o outro; espalha as cadeiras e empilha cadeiras. Carrega telão e projetor. Testa pistola de cola e computador. Transfere arquivo com pen drive, bluetooth, blue-ray, e até por pensamento. Todas as tentativas eram validas, até que uma delas desse certo. Tal como tomadas, Oz chegou ligada, em problemas e soluções. E com fios e extensões ligadas resolveu a situação.

Com a desculpa tradicional, e com o adiantado da hora, começou o sarau. Confrades e não confrades dividiram o espaço. Uma miscigenação de conceitos e estilos. A confraternização ecumênica, dos literários aos afins. Era uma reunião da SPVA, no estilo confraternização, no pátio externo da pinacoteca (21/01/16 – Natal/RN). A presidenta fez a abertura, e cedeu voz ao mediador.

O homem de preto com a garrafa misteriosa, mediando e mediante a um público presente, apresentou uma poesia moldada e influenciada com a última tecnologia, na palma da mão. Do zap zap de grupos, fez uma bibliografia, para suas pesquisas e consultas. Com uma palavra daqui e outra dali, de frases completas e incompletas, formou um novo texto, a partir de uma medula espinhal, definida como coluna dorsal, na ideia de construir seu novo texto, a partir de textos existentes e zapeados nos grupos virtuais.

Inúmeros estiveram presentes, ao vivo ou em vídeo. Por falta de Wi-Fi não teve presença ao vivo on line. Com tecnologias, já não importam as distancias. E muitos ali presentes, já eram figurinha carimbada, e amassada, enquanto outros fizeram sua aparição pela primeira vez. Um álbum de fotos foi montado, com muitas fotos e figurinhas ainda espalhadas, em maquinas fotográficas, celulares e redes sociais.

No estilo confraternização anual, com troca de presentes, realizou-se uma brincadeira denominada por Oz, como amigo culto, embora estivesse até um momento oculto, para ser declarado em culto, diante o microfone ao público presente. A troca de escritos e livros, com nomes e sorteios, com o tradicional papelzinho sorteado e dobrado, colocado em um copo descartável. A estratégia de resolver problemas com táticas e condições possíveis, as que permitiam o ambiente. Dos saberes em livros aos sabores sobre a mesa.

O saber e o conhecimento começam com olhares e sabores; tato e olfato. Adão e Eva foram autorizados por Deus, assim eles escutaram. Comeram todos os frutos encontrados espalhados pelo Éden, inclusive o fruto proibido, que mudou suas opiniões e olhares. As ofertas oferecidas a Deus no Velho Testamento, eram alimentos, oriundos de plantações ou criações, que simbolizavam um conhecimento, do plantar ou criar. Noé embarcou em uma arca com seus animais, seus conhecimentos, talvez seus alimentos.

Um dia o sal foi usado como pagamento, de trabalhos e tarefas, e criou-se o salário com a invenção do dinheiro, a partir de moedas. E o sal contribuiu com o sabor dos alimentos. Com pagamentos e salários, o homem compra novos alimentos, que contribuem com saberes e sabores, aumentando seus conhecimentos.

O descobrimento do Brasil, aconteceu pela tentativa de chegar as índias para comprar e importar especiarias: os condimentos, os temperos e os sabores. Portugueses disseram na história, que descobriram o Brasil e travaram guerras e batalhas, com outros povos europeus, que queriam as terras descobertas para plantação de cana de açúcar, para adoçar suas vidas. Importariam seus conhecimentos, e aplicariam nas terras.

Com sal e com açúcar, mais outros condimentos, são criados os saberes e sabores, o denominado conhecimento. A diversidade de ingredientes e os modelos diversos de confecção de um prato, tal como a diversidade de conhecimentos. Com misturas e variações de temperaturas, os saberes, revestidos de sabores, estavam dispostos sobre a mesa.

Um romance, ou uma poesia escrita, são modos de transmitir conhecimentos, tal como um livro de receitas. Um soneto, ou uma sonata (só nata), funcionam como ingredientes. Degusta-se e devora-se comidas e livros. Aprecia-se literaturas e músicas.

Dos que estiveram ali presentes, alguns já publicaram livros. Outros tiveram a oportunidade de levar seus conhecimentos, seus saberes, com sabores em seus pratos que foram por eles confeccionados, com temperos e ingredientes particularmente escolhidos, e alterações e variações de temperaturas. Independente dos ingredientes, particularidades individuais acontecem diferenciando sabores de um ou de outro, a partir de uma mesma receita.
Cafés nunca tem o mesmo sabor, feitos com o mesmo pó, a mesma água, e pessoas diferentes. E poesias por pessoas diferentes ao declamar. Por fim todos saíram saciados de saberes e sabores, sólidos ou líquidos, escritos, lidos ou declamados.

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