sacais nº 2

vai ter um dia em que nós vamos ser barrados, nosso cartão eletrônico vai nos dar um perdido e a máquina vai negar nossa passagem. sem saber em que pousar os olhos vamos inundar a face diante do interdito, como cães amarrados choraremos fino e o barulho percorrerá os ouvidos (alheios a nós) no ônibus das 11 e vai permanecer às doze e quarenta e cinco, e ainda às 16 nossa tristeza ecoará. ao fim do dia – quando driblarmos as pedras que haviam, sorrirmos mentiras aos vizinhos, beijarmos da mãe o seio eterno -, se chegarmos ao apartamento estéril, vazio de mobília, não saberemos nos afogar no banho ou envenenar a nossa janta e nem pôr pra tocar aquela faixa oito do disco do joy division. ao invés disso, debruçaremos nosso corpo sobre a janela sozinha com um copo amargo de vodca bailando entre os dedos. se adormecermos no parapeito, acordaremos nervosos e migraremos, finalmente cientes da morte, para cama onde um oceano de desespero nos afogará e feito cadáveres dormiremos mijados até que o limbo nos apare às cinco e meia junto com o despertador.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. amanda 1 de maio de 2011 3:20

    Jota se não Mata é Cruel…

    Realmente há algo pior do que ser fatal, é ser (o cruel do) dia seguinte

    Amo-o.
    não sei por que meio falar com vc; mando por aqui msm o link do trabalho maassa de um fotógrafo: http://ryanmcginley.com/somewhere_place

    Beijos fluídos da minha boca.

  2. Lívio Oliveira 29 de abril de 2011 0:18

    Socos nos sacais.

  3. Jarbas Martins 28 de abril de 2011 22:41

    saca essa, delicados leitores do substantivo plural!

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