Salinger, influência e seguidores

Interessante que esse sentimento de Tácito também reflete em mim, hoje. Na verdade o grande segredo de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”, penso eu, foi ter usado o palavreado da juventude americana que começava a se rebelar no inicio dos anos 50 através do personagem adolescente Holden Caufield.

Nessa mesma década começava a explodir o rock e toda a rebeldia e que terminou resultando em Woodstock. Fazendo uso de gírias e expressões típicas da juventude americana “O apanhador” é sem duvida um grande livro contracultural.

Incrível que hoje percebo que não há nada no famoso personagem de “O apanhador…”, que já não tivesse sido dito de uma forma muito mais elaborada e psicologicamente complexa por Dostoievski, por exemplo. Não estou tirando o mérito de Salinger, bem entendido, nem de O Apanhador, até porque eu gosto bastante do livro.

A inadequação de Holden Caufield ante a civilização (inadequação registrada por todo grande artista, diga-se, “A montanha mágica” de Thomas Mann é um exemplo claro) também se faz presente em Raskolnikov, ou se quiserem, em outro livro fundador da prosa moderna americana que é “As aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain, livro que Hemingway tinha verdadeira adoração. Sem falar claro de As aventuras de Tom Sawyer também de Mark Twain.

No sentido de elaboração lingüística e de enredo, considero “Pra Frente com a Viga Moçada!” (de Salinger) bastante superior ao “Apanhador”, embora nem de longe tenha influenciado e alcançado o sucesso mundial que a estória de Holden Caufield.

Uns dos meus livros favoritos, nessa mesma pegada de personagens que se debatem com a civilização, hoje esquecidos, é “O lobo da estepe” e “Demian” do escritor alemão Hermann Hesse.

Bom, Salinger, certamente deixou seguidores, sem dúvida, como Jack London e o próprio Jack Kerouac. Recentemente, por indicação de um professor amigo, me dei ao trabalho de me aventurar na leitura de “Meus dias de escritor” do escritor Tobias Wolff (que estou inclusive para passar a frente em qualquer sebo da cidade) uma espécie de seguidor de Salinger, mas infinitamente distante do talento, brilho e do charme de salinger.

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