Salinger: vender é bom mas…

Laurence:

O enorme sucesso de Salinger impressiona e nos obriga a pensar que ele foi mesmo ao encontro de profundos anseios de leitores. Eram anseios que estavam na pauta do dia (dos anos e das décadas pois o livro é muito lido até hoje): juventude, rebeldia, indagação sobre o futuro de sucesso que uma classe social e um país pareciam reservar automaticamente para quem se comportasse bem.

O livro dele é bom mas não priorizo o sucesso para avaliá-lo assim. E tem ecritor que demorou décadas ou mais para ser lido amplamente (exemplo óbvio: Rimbaud; no Brasi, gente ótima como Orides Fontela ainda é pouco lida!) porque, embora escrevessem muitíssimo bem – até muito mais que Salinger -, apresentavam uma literatura mais problematizadora do mundo, de difícil leitura por diferentes motivos: temas, linguagem etc.
Cada escritor é um escritor, não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito – nem de vender pouco. Mas o fascínio pelas vendas pode nos colocar na fila dos compradores de Paulo, o que, evidentemente, não é seu caso.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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