Do samba que não deu samba e do Pratodomundo sem o Bar de Nazaré

O Bar de Nazaré é dos mais antigos de Natal. Antes disso, é um patrimônio cultural do Beco da Lama. Nos últimos anos tem sofrido um golpe atrás do outro. Primeiro foi a administração Micarla e a proibição das tradicionais mesas na calçada, prejudicando muito o movimento no bar. Segundo foi a administração da Samba.

Quando o presidente da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências, Dorian Lima informou a dificuldade de convencer comerciantes de bares e restaurantes a participarem do Pratodomundo (o Festival Gastronômico do Beco da Lama) por problemas financeiros, inclusive Nazaré, fui la saber mais detalhes.

Nazaré se disse “desestimulada” com os eventos do Beco. Até pediu para não falar nada além disso. “Cansei”, concluiu. Mas seu filho, Paulinho, soltou o verbo. “Participar de um evento sem premiação definida, sem divulgação, sem reunião, sem roteiro nenhum?”. E exemplifica o contraponto da organização do evento em gestões anteriores.

Outros fatores também têm prejudicado o Bar. Hoje toda a programação cultural promovida no Beco está concentrada no Espaço Zé Reeira, seja patrocinada pela Prefeitura de Natal, seja pelo IFRN – as duas entidades que promovem algo por ali, afora iniciativas de particulares.

De resto, até mesmo o samba às quintas-feiras, promovido no Bar de Nazaré, se esvaziou. Nazaré conta que pouca gente comparecia. E ela gastava com aluguel de som e diária para um empregado extra no dia. Custava uns 300 reais adicionais, que não se pagava. Além disso, neste dia, ela dormia no próprio estabelecimento.

Assim também foi com o almoço, procurado por alguns na hora da fome. A demanda diminuiu, o funcionário que ajudava no bar sumiu e Nazaré não dá conta de atender, limpar e cozinhar sozinha. Hoje, o Bar deixou a oferta de almoço e trabalha só com os tira-gostos e bebidas. A própria Nazaré, por vezes, vai almoçar no Bardallos.

É triste assistir um Bar quase definhar por falta de prestígio. Assisti tempos bons ali. Eventos eram realizados na porta do Bar. Calçadas tomadas de gente, etc. Coincidência, hoje foi promovido lá o dia nacional do samba. Uma iniciativa particular arrumou ajudas, montou tenda, som e atrações musicais (foto). É assunto para post amanhã.

Queria saber qual a representatividade de um Pratodomundo, já com mais de 10 edições, sem o Bar de Nazaré. Queria saber se o Beco da Lama existe sem o Bar de Nazaré. Se o Beco virou Espaço Zé Reeira. Se o Beco ficou à mercê do IFRN ou da ajuda municipal. Se ainda há criatividade e vontade de fazer daquele Beco o maior do mundo.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Luiz Felipe Bomtempo 3 de dezembro de 2014 3:21

    Acho um absurdo, o cartaz dado ao Bar de Zé Reiera, só pelo motivo dele poder encher a rua de mesas e cadeiras num espaço público (sim, a rua é fechada, um espaço cultural) mas não pertence ao comerciante em questão.Independente de ter eventos culturais, ou não acontecendo suas mesas e cadeiras lá estão. Ao que me parece é que aquele rua pertence a ele. Dou minha mão a palmatória se eu chegar alí com uma bolsa térmica, sentar na calçada em frente, e tentar vender cerveja. Isso serve para o que fazem na travessa José Alexandre Garcia, na Ribeira. NÃO, NÃO se pode fechar uma travessa, rua, ou qualquer espaço público para benefício de apenas um, ou outro comerciante. A RUA É PARA TODOS, O DIREITO DE IR E VIR NÃO PODE SER CERCEADO POR NENHUM DONO DE ESTABELECIMENTO, em virtude dos seus PRÓPRIOS INTERESSES!!!! E TENHO DITO!

  2. Nelson Rebouças 3 de dezembro de 2014 1:03

    Acho que o único culpado é o Rui Pereira que nenhum envolvimento teve com os envolvimentos desses becos! Ainda soube que o Zé tá emprestando a 10% para seus clientes para serem descontados em contra cheque na mão! Essa gestão, torna-se esperta com a politica de que: quanto mais fizermos, mais teremos "para nós"!

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