Sangue Azul

Por Inácio Araújo
FOLHA DE SÃO PAULO

Gostei de Sangue Azul mais do que imaginava que gostaria.

E o que mais me impressionou é que, por pouco, poderia muito bem ser um filme alienado, um desses filmes fora do mundo.

Mas existe ali um encontro de mitologias muito interessante: há o circo, um circo irreal, que não é o mambembe habitual, nem o Cirque du Soleil ou similar. Há a ilha, nunca nomeada como Fernando de Noronha, mas um lugar no oceano, entre o Brasil e a África, se estou bem lembrado.

Depois há as lendas do circo (Pereio) e as do mar (Ruy Guerra). Os dois em si personagens lendários.

A história da gaivota, que tira os peixes da água por sua capacidade de mergulhar rapidamente, mas acaba sendo cegada pelo sal do mar, achei belíssima.

Claro, existe ainda o incesto… A tragédia.

E me chamou a atenção que o herói se chama Zolah, como Émile Zola, que viu no operário um sujeito de tragédia (disse Jean Renoir, na abertura da Besta Humana, se estou bem lembrado).

É uma tragédia entre pescadores e circenses, o amor entre o irmão do ar e a irmã do mar. Mas o sangue é azul.

Como de costume, as imagens de Mauro Pinheiro Jr. são muito fortes.

E como de costume os tempos de Mair Tavares são únicos, caem como luva em bons filmes.

Ah, e o elenco, não dá para destacar ninguém. Me pareceu que estavam todos bem, não me lembro de quem destoasse.

Resumindo, me parece o momento mais completo de Lirio Ferreira como diretor.

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