São Paulo São Muitas!

Nos 457 anos de São Paulo, eu não poderia deixar de prestar uma pequena homenagem à cidade onde nasceu minha mulher. Por sinal, ela fica danada quando comparo São Paulo e Rio (incomparáveis, porque diferentes em tudo; equivocado como comparar belas loira e morena).

Nada se compara, também, a flanar pela Avenida Paulista; pousar no belvedere impressionante do MASP; passear em meio às obras de Almeida Júnior na Pinacoteca; comer os gigantescos pastéis de bacalhau e tomar uma cerveja de esquimó lá no Mercado; degustar um sushi na Liberdade; traçar uma massa com vinho em Higienópolis; sorver um Bloody Mary nos Jardins; devorar uma pizza em qualquer lugar (Ronnie Von diz que a de São Paulo é a melhor do mundo. E Ronnie é um cara pra lá de inteligente e viajado. Portanto, não duvido.); encontrar parentes e amigos; ir a parques, praças, museus, cinemas, teatros, livrarias… e ter livros, dvd’s e cd’s a mancheias…

Bem, para não escorregar na maionese e não perder a oportunidade de declarar um certo amor desconfiado (Ei, isso aqui aprendi com a minha querida Anne Guimarães!) a essa cidade louca cujo verdadeiro hino foi feito por um certo Caetano Veloso, trago aqui uma letra que acho maravilhosa e hilária, do também absurdamente louco e genial Tom Zé:

AUGUSTA, ANGÉLICA E CONSOLAÇÃO

Augusta, graças a deus,
Graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Augusta, que saudade,
Você era vaidosa,
Que saudade,
E gastava o meu dinheiro,
Que saudade,
Com roupas importadas
E outras bobagens.
Angélica, que maldade,
Você sempre me deu bolo,
Que maldade,
E até andava com a roupa,
Que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica.
Augusta, graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Quando eu vi
Que o largo dos aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na estação da luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.

P.S. A homenagem se estende, também, ao caríssimo Marcossilva, a Nina, menina, a Jarbas Martins, a Gustavo de Castro, a Michelle Ferret e a todos os que amam (e odeiam) aquela cidade-complicada-e-sem- fim, que me seduz e me assusta.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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