Scire est reminisci

Ao Bardo Marcão Potiguar

“Words, words, words”

“A consciência faz covardes de todos nós”

Caro Marcos,

no dia em que comemoro mais um ano de vida, deu vontade de recordar algumas coisas, pois-: saber é recordar ( “ Scire est reminisci”).

A idade e o uísque que logo mais tomarei deixa a gente comovido como o diabo.

Todos nós sabemos que não é o título que faz um grande intelectual ou pesquisador. Muitos adquirem o título para melhorar o salário ou para progredir na carreira. Outros – são autodidatas – e estudam a vida inteira. Alguns desse professores foram admitidos em grandes universidades. Essa não é a regra praticada, e para ingressar na maioria das universidades precisa do título de doutor. Diferente de quando comecei aqui na UFRN, há mais de 30 anos e existiam poucos doutores. Fui contratado como simples Bacharel, e logo saí para fazer pós-graduação na USP. Uma experiência riquíssima para alem da matéria específica que estudei.

Depois, fiz cursos em vários paises do mundo. E tive oportunidades que só a academia podia me oferecer. Tudo isso foi revertido para o que ensino e pesquiso. Durante vinte anos trabalhei com a Sismologia. Depois fiz doutorado em Física/ Astronomia. Publiquei no Brasil e exterior. Participei de congressos no Brasil e no mundo. Tudo isso foi altamente enriquecedor.

Vi a nossa universidade crescer e consolidar- se, com dezenas de pós-graduações com níveis de excelência.

Trabalhei muito para que isso acontecesse. A UFRN foi marcante para o crescimento cultural e científico de Natal. Hoje, a grande maioria dos professores são doutores, com mais ou menos inserções. Com mais ou menos produtividade.

Existem bons e maus escritores. Existem bons e maus professores. Assim também como existem bons e maus doutores. Algumas teses, dependendo da área, são transformadas em bons livros. Na minha área o trabalho de tese é convertido em artigos publicados e indexados internacionalmente.

Com 35 anos de magistério, foi isso que desejei viver

Ab imo corde

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. augusto lula 8 de fevereiro de 2011 16:28

    Parabéns Doutor.
    augustolula

  2. Marcos Silva 8 de fevereiro de 2011 16:13

    João:

    Tenho uma carreira acadêmica muito lenta: graduação no período de 1972 a 1976; mestrado entre 1979 e 1981; doutorado de 1982 a 1987; pós-doutorado na França em 1989; livre-docência em 2000; titular em 2007. Publiquei somente cinco livros individuais e um em parceria com uma antiga orientanda.
    Encaro títulos acadêmicos como registros de trabalho: não são nobiliarquia hereditária, qualquer um pode fazer uma carreira acadêmica. Tenho dúvidas sobre a figura do auto-didata: Paulo Freyre nos ensinou que ninguém ensina a ninguém, ninguém aprende sòzinho, todos aprendemos em comunhão – imagem cristã que tem a vantagem de valorizar o caráter relacional do aprendizado.
    Agora, muita gente aprende e ensina sem passar por títulos formais, assim como outros tantos passam por títulos formais e nada aprendem nem ensinam. O mundo é mais complicado do que os preconceitos gostariam que fosse.
    Habitualmente, não alardeio dificuldades que enfrentei em minha vida profissional e pessoal. Sou de uma família muito pobre (no núcleo central da família, o único que cursou faculdade fui eu), nordestino em São Paulo (vc lê notícias sobre essa condição), sobrenome puro Silva, mestiço. Uma vez, perguntaram-me se fui preconceituado em São Paulo. Respondi: sim mas o preconceito é tão ridículo que nem vale a pena dar muita atenção aos preconceituosos, exceto no sentido de colocá-los em seu devido lugar – a mediocridade.
    Tenho pavor dos preconceitos. Preconceitos são anti-conhecimento. Falar genericamente que doutores são farsantes, e só, é ignorar o duro trabalho de tantas pessoas, em seus laboratórios, bibliotecas, arquivos e outros espaços de estudos. É ignorar o trabalho necessário para se produzir um artigo cientírfico de 10 páginas – às vezes, meses de esforço.
    Sei que vc fala com conhecimento de causa. Optei por não ficar calado diante de pessoas que descartam alegremente o duro trabalho dos outros. Entendo que devemos defender nossa dignidade.
    Abraços:.

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