O Sebo Vermelho e Editora completa 30 anos

Por João da Mata

O Sebo Vermelho de Abimael Silva completa 30 anos de uma profícua existência comemorado em alto estilo no mês de Agosto de 2015. Em todos os sábados do mês festivo estava previsto o lançamento de livros com muita cerveja e acepipes preparados pelo dono do sebo, ele também um grande cozinheiro e cervejeiro. Meu amigo desde o inicio do sebo, Abimael Silva começou vendendo discos na Discol, e depois montou seu próprio e bem sucedido negócio Nesses trinta anos o Sebo Vermelho – um dos poucos sebos que editam livros no Brasil – já lançou mais de 400 títulos. Alguns títulos antológicos e outros esgotados e de difícil acesso. O sebo prima pela edição de livros do estado do Rio Grande do Norte e tem prestado uma enorme contribuição para a nossa história e cultura literária. Saudades do Jornalzinho do Sebo Vermelho homenageando autores e personalidades de nossa cultura. Cada lançamento era uma festa regada a muita cerveja e alegria dos amigos do sebista.

O amigo e parceiro Abimael Silva com quem tive o prazer viajar muitas vezes por esse imenso Brasil é um grande causer. Uma grande e animado contador de histórias. Assim por baixo ele vai jogando dardos e datas. Muito intenso. Discutimos algumas vezes como amigos que sabem discordar. Saboreamos algumas cervas e mergulhamos num mar de causos, histórias e livros.

O Sebo Vermelho localizado atualmente na antiga Casa da Musica de Gumercindo Saraiva já faz parte da geografia sentimental de Natal. Uma cidade sem sebos é uma cidade sem vida. O sebo vermelho tem um diferencial na edição de livros de autores inéditos e outros consagrados. É nos sebos e pelos sebos que podemos avaliar o nível cultural de uma cidade – ele é uma medida dos que lêem, ouvem e escrevem. Quando vou ao centro da cidade alta, não deixo de passar no Sebo Vermelho, nem sempre aberto uma vez que o proprietário também cuida da atividade editorial. Apesar de ainda não termos uma grande tradição cultural sebista, é possível encontrar com certa persistência e abnegação algumas raridades literárias. Eu as encontrei algumas vezes e tive grandes alegrias. Comprei parte de algumas bibliotecas adquiridas por Abimael. Mas o sebo vermelho é muito mais que isso. Apesar de sua desarrumação é um lugar agradável e ponto de encontro de amigos. E quem desejar adquirir algum livro “tem que batalhar”, como diz o Falves – eterno frequentador e bebedor do sebo vermelho.

O sebo também é um templo sagrado onde se reúnem as fadas, os elfos e os gnomos que enfeitiçam e dão colorido à vida. É lá também que travamos contato com outras personagens vivas ou mortas. Algumas trilhas são deixadas e novos caminhos da alma são revelados. Saudades do Helmut, Paulinho e outros grandes frequentadores do Sebo Vermelho.

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