Secretaria de Cultura em Mossoró é extinta – quando a cultura é vista como gasto e não investimento

Me parece desnecessário discriminar tantos pontos fundamentais proporcionados pela cultura a qualquer comunidade, povoado, cidade, nação ou vidas alienígenas. É algo tão substancial, essencial à plenitude de uma vida saudável que me sinto meio idiota tentando esclarecer isso.

A cegueira de burocratas de visão torpe (seria redundância Burocrata = Visão torpe?) resolveu extinguir a secretaria de cultura de Mossoró para economia de gastos. Ou mais especificamente reformulou a administração geral, e a Cultura que espantou Lampião agora é Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.

Chuva de vaias no país de Mossoró. Mas aplausos à comunidade artística de lá. Há uma mobilização em curso e uma insatisfação crescente, muito embora há quem nutra esperança de algo melhor, já que a antiga secretária Isolda nada fez pela pasta, agora administrada por Glaudionora Silveira, em múltiplas funções.

Quando o Governo do Estado reduz o imposto no querosene, não se trata de reduzir receita, mas de tornar o Estado mais competitivo e atrair mais voos e turistas e, consequentemente, mais dinheiro para investir em outras áreas. Com a cultura acontece algo semelhante. Claro, não nessa fórmula mercadológica, mas sob parâmetros mais sociais.

Educação e cultura combate criminalidade, transforma cidadãos, proporciona bem estar e qualidade de vida, sem falar na economia criativa e na geração de empregos. Para ser bem superficial. Acesso à cultura não é gasto, é solução e, mais do que isso, é um direito constitucional da população.

Devia-se pensar formas de gerar receita para manter a secretaria ativa e o cofre estadual alimentado de cultura. A própria reformulação dificulta convênios e repasses federais, dependentes de uma secretaria exclusiva, afora um Conselho, um Plano Municipal e outras exigências. Ou seja: a secretaria estava carente de avanços e, em vez disso, agora divide atenções com outras prioridades.

Está claro: houve retrocesso e não economia. E será que vale ainda discutir a cultura como forma de refinamento estético e espiritual, de auto-estima, de contribuição para a ética e a moral. Sabe quando se fala em saúde mais humanizada? Não é só a saúde. Precisamos de um mundo mais humanizado. Mas permanecemos nessa Era pré-humana.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Anchieta Rolim 3 de fevereiro de 2016 17:56

    Esperar algo positivo de político em favor da cultura? Nem lá, nem aí, nem aqui. Quero é distância, muita distância desses tipos. Só prevalecem os interesses próprios deles, e de grupinhos. E quem pensar que secretário(a) nessa politicagem de hoje, manda em alguma coisa? ou é desinformado ou inocente demais. Paliativo não cura, apenas retarda a morte.

  2. Luiz Manoel de Freitas 3 de fevereiro de 2016 15:29

    Concordo em gênero, número e grau. Assim, bem simples e plagiando tantos outros cidadãos.
    Contudo, me ocorre uma questão? De que adianta uma secretaria, com todos os seus encargos, especialmente salário de alguém que não tem noção real do que vem a ser cultura e que justifica o uso de verbas com eventos e atividades direcionadas, exclusivamente, ao lazer? Que contratando, para apresentações em praça pública, em geral, bandas, cuja maioria dos seus componentes se apresentam com a bunda de fora?
    Não sei se é o caso de Mossoró, que já algum tempo vem sendo trata por parte de seus moradores e da mídia local( leia-se estadual) como exemplo de “cidade cultural”( Considerando conceitualmente cultura, não sei bem o que significa ). Mas enfim! Este é um exemplo que se conhece de outros municípios apelidados de Cidade da Cultura. Um secretario sem pasta, sem uma mesa para sentar, recebendo empresários de bandas em mesa de bar, e promovendo eventos tidos culturais que com o objetivo de lazer ou de divulgar em feiras e exposições as ações administrativas dos prefeitos da vez.
    No meio entendimento tanto faz uma secretaria, uma coordenação ou um departamento, desde que exista uma cabeça ( com o mínimo de poder político) que aglutine as idéias e propostas dos verdadeiros produtores de cultura por meio de uma equipe técnica realmente comprometida em manter salário sem compromisso com trabalho. Parabéns Sergio Vilar pelo texto apresentado, que sirva pelo menos para reflexão e entendimento dos produtores culturais. Uma vez que cultura não é uma responsabilidade exclusiva do poder público. E muito do que temos hoje que muitos chama de cultura, deve-se a as imposições da ” CULTURA OFICIALIZADA”. Não podemos negar a necessidade do envolvimento e apoio, mas não podemos esperar o melhor do poder público. Já está na hora de encontrarmos caminhos para reduzir ou quicá acabar a dependência. Cultura também é produto que tem mercado competitivo, e também por isso, gera recurso, além de todos os benefícios já citados na matéria, tão bem posta, Se eles não têm esta compreensão, precisamos ter, e assim forçar para que eles adquiram óculos que lhes permitam ver a realidade. Em Mossoró ou em qualquer outro lugar desde Brasil tão contraditório.

  3. Roberto Cardoso 3 de fevereiro de 2016 12:58

    E pensar que esta semana escrevi um texto, citando Mossoró como capital cultural do RN.

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