Sem surpresas, os Rolling Stones deixam público de SP de língua de fora

Por Carlos Peixoto

Publicado no blog O Inimigo

Não teve surpresas – talvez a canção escolhida pelos fãs para o primeiro show tenha sido assim meio que inesperada – , mas a noite foi perfeita. Nem a chuva, que começou a cair logo no início da tarde sobre São Paulo, nem o trânsito para se chegar ao Estádio do Morumbi (saindo de Santa Cecília, levei duas horas e meia para chegar a dois quilômetros do local e fui até lá a pé mesmo) atrapalharam. Por conta disso, muita gente perdeu o show de abertura dos Titãs, mas como disse Tony Belloto na Folha de SP de quarta, “quando se trata dos Rollings Stones, os Titãs não importam”. Importou mesmo que as pedras do rock e a pura alegria dos fãs rolaram, soltas e brilhantes, em duas horas de som, luz e performance da mais longeva banda em atividade.

Quase na hora marcada, com apenas 15 minutos de atraso, o palco se iluminou com o jogo de cores nos telões, pintando de azul, verde e amarelo a marca da língua. “Dados vermelhos e brancos rolaram” e Mick Jagger entrou no palco com desenvoltura e animação mantidas até o fim da apresentação. As guitarras de Ron Wood e Keith Richards deram os acordes iniciais e a bateria de Charlie Watts marcou o compasso de “Start me up”, o primeiro clássico da noite.  “It’s only rock’n roll”, “Tumbling dice” e “Out of control” vieram em seguida e o público nem se importou da setlist parecer ser a mesma do show no Rio, sábado passado (20).

E por que se importaria? Clássicos são clássicos! Surpresinha agradável, assim mesmo – no diminutivo e adjetivada – foi a canção escolhida pelo público paulista: “Bitch”. Eu preferia mesmo a escolha carioca (“Like a Rolling Stone”), mas entendo que aqui os tempos são mesmos para chutar “cachorro morto” (terça à noite teve panelaço durante a fala de Lula na TV)! Também não teve “Angie”, a bela balada de Keith para a filha Angela; mas ninguém ficou sentado com “Paint it Black”, “Midnight Rambler” e “Brown Sugar”.

Teve mais, muito mais! Em duas horas, Mick ensaiou frases em português, deu beijinhos no ombro, disse que gostou de “comer mocotó” e que “sentiu saudades”. Brincou, pulou, deu carreirinhas, fez seus famosos requebros…! A noite estava para ele e para quem viu uma perfeição técnica de infraestrutura. Os telões com imagens digitais quase tornam obsoleta a disputa por um lugar na pista, perto do palco. O jogo de luz e a cenografia, sem aquele aparato feérico das turnês dos anos 1980/1990, encantaram. Principalmente em “Sympathy for the Devil”.

E no fim, ainda sem surpresas mas com todos nós maravilhados, veio o riff de Keith em “Satisfaction”. Um riff que explicou, neste e em todos os outros momentos dos Stones, por que o público do Morumbi ficou quase cinco minutos aplaudindo o “velho pirata”, aos gritos de “Richards, Richards!”, apesar de alguns erros nos acordes e hesitações nas aberturas das apresentações da noite. Ron Wood, me dizem alguns amigos com sua formação musical clássica, “é melhor guitarrista”. Talvez, seja “vero, ma non troppo”. Quarta, também foi a noite de Ron. Foi a noite dos gigantes do rock caminharem, outra vez, entre nós. Foi a noite das pedras rolarem. Foi a noite do público. Quem foi, viu!

A Olé Tour dos Rolling Stones tem mais duas datas no Brasil, em São Paulo e Porto Alegre.

Serviço – Rolling Stones – Olé Tour

São Paulo
Data: 27 de fevereiro (Sábado)
Horário: 21h
Local: Estádio do Morumbi

Porto Alegre
Data: 2 de março (Quarta-feira)
Horário: 21h
Local: Estádio Beira-Rio

Foto: Divulgação

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