Sempre é tempo de se esperançar

O desgoverno atual é um grande desafio para todos nós. Tudo indica que, agora, o impeachment do inominável está um pouco mais difícil de acontecer. E, como esgotos a céu aberto, os absurdos do executivo continuam acontecendo. A cada dia, um novo atentado à democracia. E aquele, do qual não se diz o nome, segue sorrindo e zombando, pois vivemos um período de impunidade outorgada a ele  que tem “desaforo” privilegiado.

A verdade é que nos sentimos impotentes diante de tanta banalização dos malfeitos, de crimes cometidos, um em cima do outro; diante do desrespeito a todos os parâmetros da ética em nome de uma “governabilidade” que gira em torno de um projeto que está exaurindo a nação e a todos nós daquilo que se chama dignidade. Tudo feito às claras, à luz do dia, numa ação orquestrada entre executivo, legislativo e judiciário. As lideranças destas três esferas, mais do que nunca, estão em sintonia para seguir com o projeto necropolítico, visando a sua manutenção no poder pela vitória nas urnas de 2022. Nesse momento, em que o centrão foi oficializado no poder (Casa Civil, Câmara e Senado), restam poucos bolsões de resistência.

Querem, além do mais, emparedar, neutralizar e silenciar a CPI da Covid-19. Arma-se um bote sobre o Supremo, sugerindo e tentando impor-lhe um advogado e pastor presbiteriano, também negacionista. A Procuradoria Geral da República omite-se ao fazer vista grossa diante dos arroubos antidemocráticos do inominável, o genocida, impunes até o momento. Cala-se também diante de bravatas de generais golpistas. Nunca tudo esteve tão “dominado”. Mesmo durante a ditadura militar, advinda com o golpe de abril de 1964, nunca me lembro de ter visto tantos militares em cargos políticos. O Ministério da Saúde, hoje, bate recordes nesse quesito. É também recordista em contribuir para a morte de milhares de brasileiros. É o antiministério da Saúde ou o ministério da morte.

Diante desse quadro tenebroso, com tantas adversidades, onde buscar forças? Como se esperançar? Aguentaremos esse garrote no pescoço até o distante 2022? Além de tudo, eclode a variante Delta para nos aterrorizar um pouco mais. E ainda temos vacinas de menos. Eu digo que é pouco país para tantas mazelas assim. Contudo, acredito na força das nossas instituições e na fibra dos brasileiros que não se entregam tão facilmente a tanta desgraça reunida num pacote só. Apesar de tudo, não nos deixaremos sucumbir. E lutaremos até o fim desse desgoverno, até apagar essa mancha vergonhosa que se abateu sobre nós; até alcançarmos um governo que recoloque o país no lugar que ele merece diante da história. Que não seja mais ridicularizado no cenário das outras nações, acusado de ter um governo neofascista.

Um Brasil que volte a figurar entre aquelas democracias que têm cuidado com seus filhos; que preze a justiça, a equidade de direitos; que zele pela educação, pela arte e defenda a sua cultura; que invista em ciência e em tecnologia; que realize um projeto de desenvolvimento sustentável; que respeite a natureza e preze a qualidade do meio ambiente; que valorize o empresariado sem massacrar os direitos trabalhistas; que assegure à mulher sua integridade e plenitude;  que respeite os povos indígenas, sua cultura e o seu direito à terra; enfim, um país soberano que reconheça e respeite a diversidade do seu povo, assegurando-lhe condições adequadas de ocupação, trabalho e renda.

Vale dizer, um governo que volte a celebrar a vida, que nos devolva a capacidade de sermos humanos e exercitarmos em plenitude a cidadania e a dignidade dentro de um país democrático do qual nos orgulhemos. Um Brasil de alegrias, no qual possamos abraçar todas as causas que dignifiquem o existir pleno, que constrói e faz a civilização avançar rumo ao tempo de voltarmos todos a sorrir. Afinal, sempre é tempo de se esperançar.

Jornalista, escritor e poeta. [ Ver todos os artigos ]

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