Ser de esquerda

Por Denis de Moraes , em seu blog http://comcult.wordpress.com/

A pergunta foi-me feita há dias por uma pessoa muito especial: “O que é ser de esquerda para você?”

Respondi com argumentos semelhantes aos de dois admiráveis intelectuais. Para o cientista político argentino Atilio Boron, ser de esquerda “é estar comprometido com a crítica radical ao capitalismo e, na medida das possibilidades de cada um, estar envolvido com o desmantelamento desse tipo de sociedade que reproduz e perpetua desigualdades e injustiças”.

A perspectiva de Boron dialoga com a já clássica distinção entre esquerda e direita proposta pelo saudoso filósofo italiano Norberto Bobbio: “É de esquerda quem defende a igualdade, quem luta por uma distribuição de renda mais igual, por uma maior justiça social. E é de direita quem não tem esse objetivo como prioridade”.

Portanto, para Bobbio, o critério decisivo de diferenciação é o “sentimento de insatisfação e de sofrimento perante as iniquidades da sociedade contemporânea”, que se completa na atitude assumida diante do conflito entre igualdade e desigualdade: “O igualitário parte da convicção de que a maior parte das desigualdades que o indignam, e que gostaria de fazer desaparecer, são sociais e, enquanto tal, elimináveis; o inigualitário, ao contrário, parte da convicção oposta, de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, inelimináveis.”

Entendo também que ser de esquerda significa buscar o sensível como algo possível de dividir, compartilhar e tornar comum entre todos e todas.

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