serenata urgente para nina rizzi

consturo a traços duros
em tua carne
minhas lágrimas.

quase rasguei tua tortografia porque
algo de muito sublime nos afasta.

mas posso, precariamente,
beijar-te as carnes, todas,
esfaquear-lhe,
beber teu sangue, lamber-te,
mijar-te, doer-te
morrer
e matar-lhe

que a ser-te uma íngua que não arde,
prefiro a morte, a sagração do platonismo.

Comentários

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  1. Nina Rizzi 2 de novembro de 2011 10:10

    abortei os hifens que me separam de você.
    para o afundamento agarro comigo as plantas mortas
    sem cuidado, sem espinhos.

    não tenho créditos pra fazer uma ligação.
    minha vista é enferrujada do container de lixo.

    vão trocando seus títeres, se mudando títere. ao mesmo passo
    à uma suave distância, pareço um sem-fim de verbetes

    1. microfísica do confessionalismo
    2. egocêntrismo, atrevimento e invenção

    o claustro é tão real quanto a execução de kadafi
    e os cem mil anônimos que morrem de fome a cada dia
    o meu desejo de ser esfaqueada e lambida;

    estas súplicas escondidas na mandíbula
    têm a dimensão da tristeza dos que não se sabem
    do desespero do homem que costura minha carne a lágrimas

    tudo o que viram nas máscaras do homem da tabacaria.

    agora me olha de novo. o pequeno mundo.
    olha, até que se esgote todo o amor
    sim, um rasgo, o peso do mundo.

    [sepia clouds: crepúsculo e antiplatonismo na rua oliveira filho]

    vc é a minha língua.

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