O Seridó que a gente ama

Existem muitas pesquisas importantes sobre o Seridó que a gente ama, algumas das quais nas prateleiras virtuais das Universidades. Um dos grandes pesquisadores sobre a região, elogiado por quem entende de história, chama-se Helder Alexandre Medeiros de Macedo que, dentre outros trabalhos, escreveu “Outras Famílias do Seridó: Genealogias Mestiças no Sertão do Rio Grande do Norte (Séculos XVIII – XIX)”. O trabalho mencionado é fonte para quem gosta dos assuntos da terra seridoense e graças a historiadores como Helder Medeiros e a outros talentosos pesquisadores podemos ler a história do Seridó em diferentes aspectos.

Na introdução da citada tese, o pesquisador, hoje doutor, investiga sobre o que é o Seridó e a explicação para o nome. Em apertada síntese, duas correntes se apresentaram para discutir o assunto. Baseado no escritor João Rodrigues Coriolano de Medeiros (1950), alguns sustentam que o nome “Seridó” era vocábulo indígena que significa “pouca folhagem, sem folhagem, pouca sombra ou pouca cobertura vegetal”, explicação acompanhada por Câmara Cascudo em uma de suas obras sobre “nomes da terra”.

Outro grupo defende que Seridó vem de “Saryd” que, segundo Helder Medeiros, significa “sobrevivente d´Ele” em hebraico. É a tese dos que acreditam que a presença judaica no Rio Grande do Norte chegou aos sertões do Seridó através do contingente de cristãos-novos. Mas, a possibilidade de que o termo seja de origem indígena, “oriundo das línguas faladas pelos índios Tarairiu”, tem também o respaldo do respeitadíssimo pesquisador Olavo de Medeiros Filho.

É importante lembrar que, antes ou depois, Seridó também é o nome de um dos principais rios que corta a região, nascido nas terras paraibanas que há muito é conhecido pelas autoridades e estudiosos no assunto: “SERIDÓ – Rio que poderá ter 30 legoas de curso, nasce d’uma lapa ou gruta da Serra ds Cariris, no termo da freguezia de Patos, na Província da Parahiba, onde rega o districto da Villa de Brejo d’Areia. No cabo de 8 legoas de curso nas terras d’esta província entra na do Rio Grande do Norte, dirigi-se para o nordeste, regando Villanova do Príncipe, e 8 legoas abaixo desta villa se incorpora pela margem direita com o rio Piranhas. Sobem por elle com carga os barcos até Villanova do Príncipe, e as canoas passão muito além e vão até a província da Parahiba.” (Diccionário Geographico, Histórico e Descriptivo do Império do Brazil de J. C. R Milliet de Saint-Adolphe de 1845.)

Sobre a caracterização da região, José Augusto Bezerra de Medeiros, estudado por todos, escreveu que, nos anos de 1950, o Seridó tinha uma extensão territorial de 9.332km com oito municípios: Acari, Caicó, Currais Novos, Florânia, Jardim do Seridó, Jucurutu, Parelhas e Serra Negra do Norte. Para Guimarães Duque, estudioso dos temas nordestinos, o Seridó, pelas características comuns, deveria ser entendido como uma área maior, se estendendo a Paraíba e ao Ceará, tendo em vista aspectos naturais comuns à vários municípios: “vegetação baixa, composta de cactos espinhentos, arbustos espaçados e capins de permeio em solos erodidos e ásperos, com seixos rola dos; ocorrência de chuvas entre janeiro e maio, variando entre 127 e 916 mm anuais; ausência de orvalho e insolação média de 2.988 horas de luz solar/ano; temperatura média de 33ºC (máxima) e 22ºC (mínima); índice de aridez elevado”.

De todo modo, tanto o Rio Grande do Norte quanto a Paraíba chamam de Seridó uma porção especial de seus territórios. Do lado potiguar, já chamaram de Seridó Oriental e Seridó Ocidental ou de três zonas homogêneas lideradas por Caicó, Currais Novos e Serras Centrais. De um modo ou outro, o Seridó que a gente ama começa no Riacho do Maxixe e esbarra nos limites com a Paraíba em vários pontos, incluindo Frei Martinho, Chapada Borborema, Rios Espinharas e Piranhas. São, atualmente, 24 municípios que direta ou indiretamente nasceram do Caicó de todos nós – “o município mais antigo da região, criado oficialmente em 1788” – e conferem aos seus filhos e fil has o privilégio do gentílico seridoense, honraria untada ao coração que deve significar responsabilidades com a tradição do que é bom e justo, com a terra que nos abriga e com a continuidade de nossa história.

Potiguar do Seridó. Iniciante no ofício de escrever sobre fatos e personalidades do Seridó amado. É advogado e membro do Instituto de Genealogia do Rio Grande do Norte. [ Ver todos os artigos ]

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