Sesc põe fim ao projeto Parcerias Sinfônicas!

O projeto Parcerias Sinfônicas foi responsável pela gravação de um DVD belíssimo, apresentações lotadas, sendo pelo menos duas no Teatro Riachuelo e ainda duas premiações de música e mais duas indicações. Isso em apenas três anos. O projeto ganhou mídia espontânea aos montes. Positiva! Pelo próprio formato e proposta, foi um potencial formador de plateias, sobretudo para o gosto ou aprendizado da música clássica, posto que mesclava artistas populares – potiguares – e a afinada Orquestra Sinfônica da UFRN.

O resultado de tanto sucesso? O fim da parceria com o Sesc. Isso mesmo. Desde o último 6 de fevereiro, um mero ofício encaminhado à reitora da Universidade, pelo Sesc, informava a descontinuidade do projeto, sem maiores explicações. Cito “maiores” porque é pífia a explicação de que o formato do projeto “não atende as orientações do Sesc Nacional”. Isso após visita de um “técnico responsável pela área de música” ao RN, para analisar o conteúdo do projeto.

Esse técnico avaliou afinação, qualidade musical, instrumentos? Alguma dúvida sobre a competência da OSUFRN, considerada entre as três melhores do Brasil, entre orquestras universitárias? Avaliou o DVD, de um show lotado no TR? Por acaso esse técnico insinua que a formação de público de concerto se dá apenas em salas de concerto, escutando Beethoven e Brahma? Ele assistiu aos shows, como este ilustrado acima, em Caicó? Ou da OSUFRN com Camila Masiso? Ou em homenagem a Gonzagão. Ou ao centenário de Vinícius?

Essa avaliação deveria partir, pelo menos, de um técnico em marketing. Talvez enxergassem, pelo viés comercial (retorno publicitário da marca), a viabilidade do projeto. Mas principalmente deveria partir de alguém mais sensível à causa cultural. Estamos farto de burocratas atrás da mesas de decisão. Tenho pena de Daniel Rezende, lá no Sesc. Um músico realmente sensível e que nada contra a maré de uma gestão engessada para a cultura, ou com visão enviesada aos reais valores culturais.

Cada vez mais ficamos nas mãos da Cosern e da Petrobras (pelo Estado) ou, mais recentemente, da Unimed (pelo município). O Sesc se apontava como renovadora desse quadro, com ações “de valorização a cultura potiguar”. Mas a nova administração, pós-Laumir, parece querer reduzir esse cenário a pó. O Parcerias Sinfônicas levou o Sesc às páginas de jornais sem que precisasse a via das matérias pagas. Mas é mais fácil prestigiar valores mais comerciais, que rendam discussões fúteis no feice ou seguidores no tuiter.

Foto: Lorena Gurgel

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Mauricio Viçosa 24 de fevereiro de 2015 11:01

    Acompanhei quase todas as edições do projeto, sendo seu ápice a aplaudida homenagem a Luiz Gonzaga. O Parcerias tinha tudo para ser um projeto permanente do SESC Natal, independente de seu formato, porém nos últimos meses a equipe gestora do projeto não eram pessoas preocupadas com o desenvolvimento cultural da cidade. Quem de fato acompanhou as edições sabe os personagens que foram importantíssimos para o seu sucesso, cito: André Muniz e a equipe da OSUFRN, Daniel Rezende e Laumir Barreto (SESC), além das vozes marcantes em todas as edições. O SESC falhou, mexeu numa equipe vitoriosa. O resultado foi este, um projeto agraciado pela comunidade sendo encerrado de forma duvidosa.

  2. Leandro Oliveira 24 de fevereiro de 2015 0:59

    Triste ver um trabalho tão bonito indo pelo ralo. No Brasil se tem uma visão equivocada da questão cultural, parece que a desvalorização é acentuadamente pontuada por meio de situações como esta.

  3. Diana Fontes 23 de fevereiro de 2015 22:50

    Realmente é muito triste Sergio Vilar. Participei esse ano e foi uma experiência incrível. Além da qualidade artítica de como o público admira e chega junto. Em Caicó, um público caloroso. Em Mossoró o Teatro Dix Huit Lotado. No Riachuelo, lotado e com o público aplaudindo de pé por muito tempo. Alpendre trouxe nossa música, nossos autores. Espero que essa decisão seja repensada.

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