Do Transe ao Funeral

Sexta Feira na Mostra Jean Rouch

Três grandes filmes num crescendo da minha admiração por esse cineasta múltiplo.
O primeiro filme “A invenção do cine- transe junto aos Songhay- Niger” narra de forma muito fiel a uma seção de transe de mulheres/ cavalos que recebem o espírito ao som dos tambores (cabaças) monocórdios tocados repetidamente acompanhados por m violinos de arco. Filme longo e bastante cansativo podia ser reduzido.

O segundo filme do dia foi o “Niger- França, ida evolta, ou a etno– ficção ao avesso”.
Petit à Petit. Uma deliciosa comedia de um africano que vem a Paris para olhar os prédios e encomendar um projeto que vai ser levado á sua cidade. O prédio será o mais alto abrigará suas várias esposas.
Em Paris ele aproveita para fazer etnografia de campo e m cenas muito bem urdidas e hilárias. Em Paris o rio é preso e as pessoas são feias.

Ao voltar à sua Niger junto com o amigo na companhia de duas mulheres e um malandro de rua para tocar a sua fábrica não mais se adapta ao capitalismo que compra barato e vende caro. As mulheres trazidas de Paris não se adaptam e o malandro vai embora. Belo filme com os mesmos atores do excelente “Jaguar” (exibido na terça feira)

O ultimo filme foi o melhor de todos. Ritos funerários dos Dogon, no Mali. O primeiro filme narra um funeral com muita festa e lutas.

O segundo Funeral “A dama de Ambara” é deslumbrante. Um cortejo de mascaras e danças encomendam o morto num rito que representa todas as etapas da vida e a não possibilidade da união do casal Raposa Pálida ( entidade muito forte entre os povos Mali) e sua gêmea. A dança pulando a vagina é empolgante. O texto é um lindo poema.

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