Simulacro e Poder, de Marilena Chauí ganha 3ª reimpressão

Título debate questões sobre a supressão do espaço público, o pensamento dominante, a dissolução do senso comum e as ideologias das esquerdas e das direitas no processo de construção dos discursos midiáticos.

Referência para pensadores, estudantes e professores relacionados ao universo das comunicações sociais, da filosofia e das ciências políticas, e pessoas interessados em entender o processo de construção de discursos e saberes na Indústria Cultural, “Simulacro e Poder: Uma análise da mídia”, da professora da USP, Marilena Chauí, ganha terceira reimpressão, pela Editora Fundação Perseu Abramo.

A partir da análise dos signos dos meios de comunicação de massa, da mecânica de inclusão e exclusão da Indústria Cultural, da abolição da diferença entre o espaço público e privado, o livro propõe uma reflexão para novas possibilidades de discursos, que se distanciem do senso comum.

Segundo a pensadora brasileira, para a direita expressar-se é um movimento natural: basta repetir as ideias e valores que formam as representações dominantes da sociedade. Para as esquerdas, esses valores chocam-se com o constante trabalho de desconstrução das falas, pautado na prática do senso crítico, do questionamento e da reflexão sobre os sentidos das ações sociais e abertura do campo histórico das transformações do existente.

“Criar uma fala nova, capaz de exprimir a crítica das idéias e práticas existentes, capaz de mostrar aos interlocutores as ilusões do senso comum e, sobretudo, de transformar o interlocutor em parceiro e companheiro para a mudança daquilo que foi criticado”, propõe Marilena Chauí, autora de outros títulos, também publicados pela Perseu Abramo, como “Brasil: Mito fundador e sociedade autoritária” e “Cidadania cultural: o direito à cultura”.

Intitulado de “Destruição da esfera da opinião pública”, o primeiro capítulo é uma análise sobre a deslocação dos saberes e do pensamento construtivo de alcance social e histórico, em detrimento da ênfase nos gostos e saberes individuais genéricos de personalidades autorizadas, que não transmitem informações, mas preferências, as quais se convertem imediatamente em propaganda. Deste ponto de partida, em “Encenação: a produção do simulacro”, Chauí expõe as técnicas de persuasão dos meios de comunicação de massa, e como a teoria da sociedade de espetáculo, elaborada por Guy Debord culmina na espetacularização do visível e na criação de simulacros. Os questionamentos da filósofa alemã Hannah Arendt, como a trasmutação dos valores e das obras culturais, que sob os imperativos da comunicação de massa, transformam-se em diversão, lazer e infantilização da vida, são as principais questões apontadas no capítulo “Entretenimento”.

Os outros cinco capítulos refletem sobre a condição pós-moderna, a informática e o sistema multimídia, a destruição da autonomia do pensamento e suas relações com as classes sociais, processos de exclusão e alienação, para desembocar na questão central do livro: os meios de comunicação como relação de poder.

Destaque para os dois anexos textuais: “Direitos humanos e medo” e “Democracia e Autoritarismo: o mito da não-violência”, que proporcionam uma visão universal da problemática dos preconceitos de classes no Brasil. Ideologia da competência, ideologia do conhecimento, o mito da não-violência, o fascínio pelo poder, observado pelo epistemólogo e filósofo Michel Foucault e o Discurso da Servidão Voluntária de Étienne de La Boétie, apontam que, ao invés de uma sociedade tiranizada, as relações se estabelecem pelo viés de uma sociedade tirânica.

Ficha Técnica
Título: Simulacro e Poder: Uma análise da mídia
Editora: Editora Fundação Perseu Abramo
Autora: Marilena Chauí
Número de páginas: 144 p. Preço: R$ 30,00.
www.efpa.com.br

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 + 9 =

ao topo