SINUCA

Por Márcio de Lima Dantas

As bolas dispostas
numa justa ordem,
cujo arranjar é
a regra do jogo:

sete bolas velam
caçapas, anelo
de restarem quedas,
para a jogadeira

preta exibir seu
poder, forças, manha,
quando não é mais
do que a solidão.

Sem saída ou termo,
entrou foi mais numa
sinuca de bico:
gorou a ternura.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 27 de outubro de 2011 12:09

    ALEGRIA É A PROVA DOS NOVE!

    Carito, você é doutor da alegria!/
    É rock clown poeta eletrificado/
    No imenso hospital da poesia,/
    Em que versos são de pé quebrado,/
    Em que versos de sentimentos,/
    Coloquiais irônicos ou herméticos/
    Geram inversos: versos despeitados,/
    Cheios de maus ressentimentos.//

    Fico pisando em ovos e ventos/
    Pra dizer verdades da poética./
    Não peço nem pedirei consentimentos./
    Versos quando não parnasianos/
    São brancos versos são versos livres./
    Eram com rimas e brancos os versos simbolistas/
    A poesia branca do negro Cruz e Sousa.//

    Exceto os diversos abolicionistas,/
    Quanta mediocridade e loucura, cruz credo!,/
    Enfrentou porém o poeta da gente de fina louça,/
    De gente a comer com talheres de prata./
    Essa gente não come com a mão se diz civilizada,/
    Mas quantos preconceitos com os de tez preta,/
    Hoje e em tempos de sobrados e mocambos! //

    Se poetas negros escrevem poesias às musas amadas,/
    Se estes, como Castro Alves, criam bons versos políticos,/
    Escrevem poesia e prosa como Machado de Assis,/
    São tolerados não discriminados se brancos versos/
    Branca prosa ideologia de branco matiz, /
    Eles criam e professam, submissos, bem adaptados.//

    Se, ao contrário, são de algum modo inadaptados/
    É preciso muito engenho e arte nesse nobre ofício/
    Para não serem condenados a sinucas de bico!/
    Para não serem enviados a hospitais de alienados.//

    Verdade isso também acontece a poetas brancos/
    Na época do golpe de 64 ocorreu com Torquato Neto/
    Talentosíssimo escrevendo coisas novas, nordestino,/
    Torquato foi da sociedade um suicidado, triste sina!/
    Mas a que será que se destina/
    A cajuína cristalina em Teresina?/
    A cajuína cristalina dos cajus de Natal?/
    Cajus de diluídas artes sons letras e visuais,/
    Cajus de tantos carnavais fora de época,/
    Cajus bons de se criar rimas,/
    Cajus bons de se mandar gente preconceituosa/
    Tomar, na lata, naquele lugar!//

    Mas quem vestirá carapuça,/
    Mas quem terá resistente carapaça,/
    Para evitar se encaçapar/
    Com duas bolas naquele lugar?

  2. Jarbas Martins 27 de outubro de 2011 9:03

    poeta que gosto. já falei aqui. Márcio expõe seu exoesqueleto formal, é poeta quase pelo avesso, na medula é que está o gostoso.. na linhagem do João Cabral, de quem sabe angustiadamente se afastar. êta que caranguejo-poeta antenado !!!.

  3. carito 26 de outubro de 2011 22:06

    poema-taco, certeiro! poesiatacada – de mestre!

  4. Jóis Alberto 26 de outubro de 2011 17:40

    BILHAR/ As bolas indispostas/numa ordem arbitrária/cujo acaso/é do jogo regra//tantas bolas levam/a carapaças de percevejos/da carapuça de ninguém/balalaica baile//Culpas desculpas/tribunais inquisições/juízes doutores/dogmatismos amores do censor//loucos alienados/ Freud & Lacan//Branca bola/a futebolizar ternuras//a exibir/artes e manhas/quando não é mais/do que espertas mumunhas//Com ampla saída/jogada de tirar chapéu/entrou foi mais numa/ casa: a casa do baralho!

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