Sobre a decepção política

Se em pessoas como Carlão, Marcos, François e Sérgio Vilar, entre outros,  todos “passados na casca do alho”, o sentimento sobre o atual momento político é de decepção, imagine entre os jovens.

Outro dia, lá no Twitter, uma estudante expôs seu desapontamento com a atual campanha. Reclamou da mediocridade dos atuais políticos e disse que não sabia em quem votar Eu disse que ela votasse nos menos ruins. Depois fiquei refletindo sobre esse “conselho”.

Será que é por aí mesmo?

Essa miséria política acabou levantando a questão do voto nulo, que Vilar defende. No passado talvez eu recriminasse e saísse em campo para combater a proposta. Hoje, seria hipócrita se fizesse isso. Já passou também pela minha cabeça anular o voto.

Esse tipo de protesto, contudo, pode dar a entender que somos puros e muitos melhores do que os políticos. E eu não tenho certeza se é isso mesmo. Quem for que atire o primeiro paralelepípedo.

Minha sobrinha, em busca de uma luz qualquer, perguntou-me em quem vou votar. Eu, muito mais para não decepcioná-la, disse uma chapa completa (Dilma e Carlos, Fátima e Mineiro, Hugo e Sávio). Mas devo admitir que ainda não tenho certeza absoluta que votarei em todos os que citei. Alguns desses votos são sem convicção. Talvez anule um ou outro. Embora não desejasse fazer isso.

Mas, acho que assim serei mais honesto comigo mesmo.

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São poucos os jornalistas que anunciam em quem vão votar como Carlão fez aqui. Vilar também fez o mesmo (em ninguém). Seria mais honesto se isso ficasse claro. À exceção do pessoal das Editorias de Política. Para estes, a situação é mais complexa. Declarar o voto é mortal mesmo para os jornalistas picaretas, que temem assumir uma posição política e perder as benesses em futuros governos. Embora não seja difícil, lendo-os, saber de qual lado estão. Escondem-se numa fantasiosa “objetividade” jornalística para continuar aplicando seus pequenos e grandes golpes.

Comments

There are 3 comments for this article
  1. Marcos Silva
    Marcos Silva 16 de Setembro de 2010 18:35

    Tácito e demais amigos e amigas:

    Como os então jovens diziam nos anos 60/70, a barra está pesada nesta eleição. Prefiro evitar o voto nulo: encaro tal opção como transferir para os outros as piores escolhas. Admito que alguns poucos políticos fazem coisas legais – é provável que nunca cheguem a disputar cargos no executivo.
    Encarando o desafio de Tácito: jamais votarei em Serra para presidente, o PSDB é a empáfia desastrosa (ou o rei na barriga como prisão de ventre); Dilma é continuidade declarada de Lula, com seus poucos altos e muitos baixos; Marina é figura simpática num partido que me assusta – quem leu o primeiro livro de Gabeira deve achar que o atual candidato ao governo do Rio não passa de um homônimo lobotomizado; Plínio de Arruda Sampaio mescla extrema simpatia e capacidade de criticar o existente a falta de propostas palpáveis para depois. Gosto de Luiza Erundina, candidata a deputada federal em São Paulo e que foi ótima prefeita na cidade. Para senador, em São Paulo, considero Marta Suplicy e Netinho (o cantor de pagode, sim) menos ameaçadores que Romeu Tuma e Aluízio Nunes Ferreira (Orestes Quércia era o mais pavaroso nessa área mas renunciou à candidatura por motivo de saúde). Não sei em quem votarei para deputado estadual paulista.
    Também tenho sobrinhos, Tácito. Tento incentivá-los a garimpar os melhores candidatos. A lavra está quase esgotada.
    Abraços para todos e todas:

  2. Dinarte Assunção 16 de Setembro de 2010 18:41

    Tácito,

    Defendo o direito de anular o voto ou não votar. Mas com que argumentos reivindicaremos da extirpe política a mudança que queremos se na escolha deles nos omitimos? Seremos tão inertes quanto eles; e deixaremos para reverberar os erros deles quando for conveniente, sem nos lembrarmos que o primeiro dos erros começou quando abrimos mão de ir às urnas.

    Não tenho a mínima ideia em quem vou votar. A malta de incompetentes que se apresenta à nossa frente é mais do mesmo. O de sempre; da inércia da situação a um oposição desarticulada, perpassando pelos parasitas que se instalam dos dois lados, absorvendo um pouco de cada lado.

    E aí entram alguns jornalistas. Os picaretas de plantão, que perdem noites de sono arrumando maneira de reverberar a vontade de uns para mamar nas tetas do governo que eu, você, Sérgio, Carlão e tantos outros ajudamos a engordar.

  3. Alex de Souza 16 de Setembro de 2010 22:52

    Não vejo erro algum ou incoerência política criticar o ‘estado de coisas’ a que chegamos na sociedade brasileira e me abster de exercer o sacrossanto dever cívico do voto. O voto é uma das expressões do exercício da cidadania e não o pináculo delas. Como não posso me mandar para os bosques e nem sei se conseguiria me dar bem por lá, como Thoreau, participo da vida social de diferentes maneiras para ser digno de ostentar o pomposo título de cidadão (e não o de eleitor): produzo, educo, consumo, penso, cago e às vezes vou até a lançamentos de livros.

    Precisamos mudar e muito nosso modelo democrático, anseio e esperneio (mas sem perder a compostura) quase diariamente para que isso aconteça. Principalmente em época de eleição, como a que passamos. Mas é o máximo que consigo me embrenhar nesse brejo. Aqui e acolá boto uma fézinha num ou outro candidato, que quase nunca leva. Quando nem isso dá, anulo sem dó na consciência e com gosto. Ou seria com desgosto?

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