Sobre “A Fotogenia do Vento”, de Monteiro

Por Maria da Paz Ribeiro Dantas

O conselho que Fernando dá no último parágrafo do texto mexe não só com a percepção visual do leitor sensível – enquanto indivíduo -, mas implica a exigência de uma nova postura cultural, uma outra maneira diferente de lidar com o tempo. O que ele sugere, através da reflexão sobre a obra do cineasta italiano, é a educação do olhar para uma visão mais refinada; e isso não se consegue sem romper com o automatismo da urgência – essa compulsão da pressa, que contamina a maioria das pessoas no tempo de hoje.

Fernando Monteiro se refere à “percepção naturalmente visual das coisas” em relação ao cineasta de “Blow-up”. De imediato me ocorreu a associação com o poeta Joaquim Cardozo, de quem eu transcrevo, aqui, três das primeiras estrofes do poema Ventos, puídos ventos:

Ventos puídos ventos! / gastos no seu tecido,/ trapos que se penduram / moles da verde palha. / Ventos, puídos ventos /que a tarde em cinza espalha. // Vento sobre os coqueiros,/ de agônicas lembranças,/ como passa banzeiro /sobre as copas mais altas,/ em desleixados vôos / de pássaros pernaltas.// (…) // Vento sobre os coqueiros, / tristezas do alto-mar,/ murmúrio gotejante / entre as folhas molhadas;/ vento sobre os coqueiros/ em ondas desmanchadas.

Abraço a todos.

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