Sobre a Preá 23

Eu gostei da revista Preá 23, lançada ontem à noite pela Fundação José Augusto.

Uma edição com 108 páginas caprichadas e que incorpora boas novidades, como quadrinhos e um diálogo com o twitter, com a criação da seção “Eu Tuito”, o que certamente incomodará um pouco os neoludistas. Como sou entusiasta das novas mídias achei massa.

Só considerei excessivo o número de páginas para informes oficiais e que tais (textos da governadora, da secretária de cultura, eventos da FJA e anúncios). Acredito que isso se deva ao caráter de retomada do projeto, coincidindo com o início de governo.

Por ser uma edição temática, sobre a poesia do RN, ainda não se pode dizer como a revista ficará em termos de conteúdo, que rumo editorial adotará. Nos próximos números isso ficará mais claro. Graficamente deverá manter o mesmo padrão, excelente, por sinal.

Entre as coisas que não comprometem, mas podem ser ajustadas, estão os créditos dos autores dos textos (letrinha miúda e reticulada), alguns ficam até difícil de encontrar como é o caso do de Pablo Capistrano, no ensaio “Os mundos de Miguel”.

Ainda na minha opinião, a edição deveria ter sido dedicada a todos os poetas potiguares e não apenas aos oito (“em Memória”) citados no expediente (Berilo, Homero Homem, José Bezerra Gomes, Luís Carlos Guimarães, Miguel Cirilo, Navarro, Othoniel e Rubens Lemos).

Esse tipo de homenagem é complicado porque excludente e pode provocar alguma injustiça. Claro, todos os citados acima merecem, mas e os outros, igualmente merecedores da lembrança, como ficam?  Não sei quais os critérios adotados para as escolhas, que podem muito bem serem sensatos, mas sempre haverá margem para questionamentos.

Mas nada disso compromete o conjunto da Preá, que está muito bom. Os pequenos senões que alinhei acima tem caráter inteiramente construtivos. O mais importante nesse momento é o retorno da publicação e torcer para que ele não seja novamente abandonada pelo caminho.

Parabéns ao editor Mário Ivo, ao diagramador Dimetrius e ao repórter Fábio Farias. Vida longa a nova velha Preá.

T.C

Comments

There are 9 comments for this article
  1. Tácito Costa
    Tácito Costa 11 de Maio de 2011 11:29

    Já tinha escrito o texto quando li lá no blog de Sérgio Vilar que a Preá proibe a publicação dos textos que saíram nela, nem tinha atentado para isso, mas está lá no expediente. Infelizmente, isso não será observado e vai contra a modernidade advinda com a Internet, contra a democratização da informação e da cultura. Sugiro que se retire essa observação das próximas edições. O SP mesmo já passou por cima dela, hoje cedo Marcos Silva enviou o artigo dele sobre o livro de Cláudio Galvão que saiu na Preá. Não vejo como impedir que os colaboradores publiquem seus textos em outras publicações, principalmente, virtuais. Considero um contrasenso total.

  2. Marcos Silva
    Marcos Silva 11 de Maio de 2011 12:03

    Na verdade, a versão do texto aqui publicada é diferente daquela que saiu na revista Preá ( a da revista foi reduzida por motivo de espaço). Consultei Mario Ivo antes de enviar essa versão ampliada para o SP, ele apenas pediu que a divulgasse após o lançamento da revista – como o fiz. Considerei importante apresentar o texto aqui, onde discutimos problemas de cultura potiguar todo dia.

  3. Tácito Costa
    Tácito Costa 11 de Maio de 2011 12:06

    Grato pela explicação Marcos, eu confesso que fiquei em dúvida se dava o crédito da revista, mas como a liberdade aqui é quase total, preferi postar o post exatamente como chegou, sem nenhuma observação minha. Vejo agora que foi uma decisão acertada porque o texto sofreu modificações.

  4. Alex de Souza 11 de Maio de 2011 12:47

    A FJA deveria disponibilizar a versão em pdf no site para download gratuito, como acontecia antes do terremoto petista. Nada mais justo para uma revista editada com dinheiro público. Fica a sugestão.

  5. Carlos de Souza 11 de Maio de 2011 15:53

    a preá tem que ser aberta ao universo, mário ivo vai dar um jeito nisso, tenho certeza. quanto ao que tácito falou sobre os poetas, acho que as próximas edições vão mostrar toda nossa produção poética, boa ou ruim.e tem muita coisa ruim e boa nessa terra de poti, como em qualquer lugar.

  6. Pingback: Preá 23 | Diário do Tempo
  7. Mayara Costa 14 de Maio de 2011 18:40

    Concordando com os demais, gostei muito da 23ª edição da Revista Preá. Projeto gráfico inovador e conteúdo bem elaborado. Mas como nem tudo são flores, gostaria de ressaltar duas coisas que muito me incomodaram: primeiro o olvidamento do nosso primeiro poeta Lourival Açucena, no texto de Jarbas Martins. Esse é um lapso que desmerece um artista o quão importante para a Literatura norte-rio-grandense; e o segundo foi o modo como a diagramação dispôs as caixas de textos que sufocam as palavras, que por vezes pouco aparecem, e também a ausência de legendas de diversas fotos que impedem a apresentação de nossos poetas a um público que lê a revista em busca de conhecimento.
    Tirando esses pontos, só tenho a desejar longa vida para a Revista Preá, que nos tirou de um vácuo editorial.

  8. João da Mata
    João da Mata 15 de Maio de 2011 11:22

    Querida Mayara, com sobrenome e subscrito Costa , que muito me honra.

    Concordo com voce. Em se tratando de uma cobertura da poesia no RN não é possível esquecer o nome do nosso primeiro bardo. Quando do seu centenário escrevi vários artigos sobre o poeta Lourival Açucena publicados na saudosa revista Brouhaha e na Revista Cronos da UFRN.
    Escrevi tambem aqui no nosso sp

    1. http://www.cchla.ufrn.br/cronos/pdf/8.2/poe1.pdf
    2. http://www.substantivoplural.com.br/author/DAMATA/page/22/

    Com estima e consideração, aprecio a sua arguta observação

  9. Mayara Costa 16 de Maio de 2011 12:25

    Caro João da Mata,

    é bom saber pessoas atentas como você partilham da minha observação.
    Agradeço as referências sobre o bardo Lourival Açucena, elas são fontes importantes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP