Sobre a presepada de Lucena

Trecho da rua Profº Zuza foi rebatizado para espaço cultural, através de Lei Municipal, com direito a placa na entrada

Foto: João Maria Alves

Por Tácito Costa

Que argumento mais absurdo esse de que não importa o nome dado ao espaço cultural e sim sua criação, funcionamento e coisa e tal (“nosso interesse é ver a coisa funcionando independente do nome”).  Calma lá, mas não é por aí não.

Achei super infelizes as declarações nesse sentido. Esse tipo de decisão, nomear ruas, prédios etc de forma arbitrária, sem consulta ou a mínima contextualização histórica/cultural, remete tristemente à ditadura militar, que usou e abusou de nomear seus generais em prédios públicos, somente no Nordeste tínhamos dois estádios com o nome de Castello Branco. Pura babação aos generais de plantão.

Felizmente o estádio de Natal voltou a se chamar Machadão, homenagem a um importante desportista da cidade, com reconhecidos serviços prestados. Acho que confundiram as coisas, não está em discussão a figura ou o trabalho do médico Ruy Pereira, que já tem o seu nome, apropriadamente, num hospital de Natal. Está em questão a inadequação da homenagem naquele espaço, é provável que o homenageado jamais tenha tomado um guaraná no Zé Reeira. Ou seja, não tem ligação alguma com aquele pedaço de rua.

De qualquer forma, vindo de quem veio, não me surpreendeu a presepada. A performance desse vereador na câmara – e fora dela – já é por demais conhecida de todos.

Post de Cellina e Mombaça: aqui

Matéria da Tribuna: aqui

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Pingback: Substantivo Plural » Blog Archive » Estupro contra Natal
  2. Jarbas Martins 31 de janeiro de 2013 19:33

    Por que esquecer o nome do professor (tinha que ser um professor…) Zuza ? Por que colocar em segundo plano o nome de Henrique Castriciano (tinha que ser um poeta..) na instituição de ensino Complexo Educacional Noilde Ramalho. Quero louvar o Substantivo Plural, na figura do editor Tácito Costa. Há alguns anos uma campanha desencadeada, aqui, fez com que uma tradicional rua do Alecrim se chamasse Desembargador Wilson Dantas.Foi uma bela campanha vitoriosa. A rua do Alecrim continuou a se chamar, como, era do gosto do povo, rua dos Caicós. Parabéns, Tácito, parabéns Substantivo Plural

  3. Alex de Souza 30 de janeiro de 2013 16:19

    só acho que os garis mereciam um representante mais limpeza.

  4. DAMATA 30 de janeiro de 2013 13:23

    Eu estive na conversa no dia em que o vereador Lucena conversou com o nosso grupo no bar-restaurante do Zé Reeira. Disse da minha insatisfação e indignação com aquela apropriação.

    Mais uma vez sugiro que a placa seja retirada imediatamente. O feito imposto viela abaixo vai depor contra o nobre colega Rui Pereira.

    Temo que o termo presepada utilizado por Tácito, deponha contra aqueles velhos palhaços que faziam belas e engenhosas presepadas e muito nos alegrava.

    No caso presente, é uma imposição indevida e descontextualizada da cultura do nosso estado.

  5. Marcos Silva 30 de janeiro de 2013 13:11

    Depois de enviar o comentário anterior, encontrei meu exemplar do volume “400 nomes de Natal”, onde é informado que o Prof. Zuza viveu entre 1845 e 1922, ensinou para crianças durante 46 anos, foi um latinista. Existem mais informações sobre ele no livro Ontem, de Câmara Cascudo, e É tempo de recordar, de Jaime dos Guimarães.
    A rua com seu nome foi e é referência para gerações de natalenses.

  6. Marcos Silva 30 de janeiro de 2013 12:50

    Existe outro aspecto que me preocupa: essa rua (que antes já tinha um nome) é designada como “espaço cultural”. Outras ruas não o são? Penso no Beco da Lama, p. ex. Se o nome é indiferente, para que a mudança? Os espaços culturais possuem projetos, atividades – onde estão, nesse caso? Existem bairros natalenses muito carentes de espaços culturais verdadeiros (espaços com propostas de atividades, presença efetiva da população, continuidade), por que não os criar ali?
    Não duvido que Ruy Pereira seja pessoa respeitável, como as matérias apontam. Essa homenagem, todavia, foi mal encaminhada e merece ser revertida.
    Sugiro uma exposição ali sobre o Professor Zuza (textos, imagens) e sobre a memória daquela rua, com aquele nome, feita por moradores e usuários.

  7. Alice N. 30 de janeiro de 2013 11:19

    Isso mesmo, Tácito: trata-se de uma presepada! Uma medida ditatorial, que todos sabemos que encobre interesses particulares e eleitoreiros. Mas pior que impor ao lugar um nome com o qual ninguém por ali se identifica (e a questão é, portanto, ligada à memória e identidade cultural), é insistir nessa arbitrariedade. O vereador alega que a criação do nome é legal, no sentido de legalidade, mas ele não tem como assumir que é legítima porque não é mesmo! Abaixo a ditatura! Abaixo os políticos que se elegem em nome da população mas que efetivamente não nos representam!

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