Sobre autismo cultural

Marcos Silva já comentou e eu vou também meter minha colher nesse angu indigesto que é a proliferação de “autos” e que tais pelo RN. O que o ator Fernando Yamamoto aborda em seu artigo “O autismo cultural no RN”, publicado hoje na Tribuna do Norte (AQUI), é do conhecimento de todos do meio artístico e vez por outra comentado em mesas de bares e cafés da cidade. Infelizmente, o assunto nunca mereceu um amplo debate público.

Tenho dúvidas se a análise de Yamamoto surtirá algum efeito. Afinal, uma parte da classe teatral e de dança se beneficia diretamente dessa “política”, inventada em Mossoró, se não me engano, e como o que é ruim se espalha rapidamente, atinge hoje todo o estado. O mais sinistro é que muita gente acha que Mossoró tem uma arrojada política cultural, devido a propaganda que faz desses grandes espetáculos e shows.

Uma coisa é certa. O que se gasta nesses eventos daria para bancar um trabalho consistente na área cultural. Mas, os gestores querem aparecer de qualquer maneira e quanto mais fogos, fumaça e barulho melhor, mais chances eles tem de capitalizar politicamente isso.

Agora, a classe artística não está dividida somente com relação a essa questão. Há poucos dias encontrei por acaso com um ator e ele falou-me sobre a situação da Casa da Ribeira. Disse poucas e boas dos diretores. Senti muita raiva na fala dele. Comentei com o ator que a crise da Casa foi levantada nesse espaço e que seria muito importante ele escrever sobre aquilo que estava me falando.

Essa conversa faz uns 15 dias. Até hoje ele não escreveu e acredito que não escreverá mais. Com isso, o debate fica limitado. Enquanto isso, continuaremos convivendo com esses “autos” e crises como mais essa enfrentada pela Casa da Ribeira.

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