Sobre autoritarismo, privilégios e desprezo pelos mais fracos

Por Rafael Gardel

Domingo último foi dia. Duas páginas na Tribuna do Norte. Impressiona a assiduidade com a qual o presidente do TJRN reporta-se em entrevistas a tantos jornalistas, radialistas e blogueiros, geralmente sendo grosseiro com os trabalhadores do judiciário, manipulando dados e defendendo os altos salários e privilégios da magistratura.

Foi mais uma entrevista impagável. Sobrou pra todo mundo, domésticas, bancários, idosos, “assistencialismo” (Bolsa Família ou Auxílio-Moradia?), pessoas com deficiência, justiça, saúde e educação gratuitas.  “Se passou a ideia de que todos têm direito a tudo: à saúde, à educação, à Justiça. E isso não existe em nenhum lugar do mundo”. Lições também de economia, segurança pública. As pretensões políticas evidenciam-se a torto e à direita. Apesar das negaças.

Quer dizer, sobrou pra todo mundo vírgula porque os magistrados, como sempre foram poupados. Merecem ganhar altíssimos salários porque “têm um parâmetro nacional e os funcionários não têm”. Simples assim. Para os juízes o argumento é sempre o mesmo: “Objetivamente, a questão é constitucional, porque o Supremo decidiu que o Judiciário é único. Então, o que vale para Francisco, vale para Chico”. Pena que, nesse caso, o que vale para os juízes não vale para os servidores, embora o orçamento seja um só.

Mais uma vez, subterfúgios e sofismas sobre os milhões pagos de novembro até agora de Auxílio-Moradia. Claro, os alvos principais continuam sendo os servidores e o Sindicato. Histórias mal contadas. Insinuações malévolas também, como sobre a destinação dos recursos – constitucionais – repassados ao Sisjern.

Não vai colar essa jogada perversa de querer deslegitimar o sindicato e jogá-lo contra a sociedade e os servidores, que não são os bobos da corte ou massa de manobra que alguns imaginam. As contas, as ações e posturas políticas do Sisjern são públicas e notórias. Regularmente são realizadas assembleias exclusivas para prestação de contas.

Foi com trabalho, luta e transparência que o Sindicato conquistou a confiança dos servidores. Hoje quase 100 por cento dos trabalhadores do judiciário potiguar são sindicalizados. O Sisjern em algum momento pode ter errado politicamente, nada e ninguém são infalíveis, mas jamais teve um só ato administrativo ou financeiro sob suspeita ou desconfiança.

Os malfeitos estão em outro lugar. É só consultar no Google palavras chave como “tjrn escândalo” ou “carla ubarana” pra ver o que aparece.

É lamentável que essa campanha persecutória contra os servidores e o seu sindicato tenha chegado a tanto. Mas não serão falácias e insinuações como a dos valores repassados, lembremos novamente, constitucionalmente, que retirarão a legitimidade do Sisjern. O maquiavelismo de botequim tem limites!

Até as pedras sabem que somente os valores despendidos com os planos de saúde médico ultrapassam os R$ 500 mil por mês (nem citaremos os valores com os planos de saúde odontológicos, pois faz-se desnecessário). Então, referir-se ao montante de R$ 650 mil, como sendo um valor líquido à disposição do Sisjern é de uma má-fé, desonestidade e crueldade sem tamanhos.

Chocante e surreal para nós, enquanto cidadãos honestos é constatarmos a conduta inerte do CNJ quanto aos atos flagrantemente abusivos e autoritários, bem como totalmente desconsoantes da postura esperada de um gestor público.

“Não existe tirania mais cruel do que a que se exerce à sombra das leis e com a coloração da justiça”, disse Montesquieu.

Desrespeitando e desumanizando os trabalhadores, retirando deles direitos trabalhistas conquistados nas instâncias superiores, alegando uma crise que sumiu quando deu dois aumentos consecutivos este ano aos juízes, totalizando quase 20%, e deverá atender a AMARN a partir de janeiro de 2016 com mais 16 por cento.

Trinta e seis por cento em dois anos!

No entanto, se vitimizando, dia sim dia não nos blogs, jornais, rádios e televisões. O magnânimo, o tolerante versus os radicais e imoderados. Buscando jogar os servidores e a sociedade contra o sindicato e prosseguindo célere em sua cruzada de intolerância e insensatez: desmonte do judiciário, destruição da autoestima dos servidores e precarização do trabalho. O TJRN clama por socorro!

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