Sobre cultura no RN

Por Carlos Alberto Barbosa

Num estado em que no seu calendário cultural a principal festa é o Carnatal, dizer o que? Num estado onde as pessoas não valorizam o artista da terra, dizer o que? Num estado onde o principal órgão que lida com a cultura local, caso da Fundação José Augusto, promove um edital que contempla gravações de CDs de compositores nativos – Prêmio Núbia Lafayete – e que esse mesmo público que critica as ações da FJA não comparece ao Teatro Alberto Maranhão para prestigiar a produção local, dizer o que?

Sim, Senhores, música também é cultura e não só poesia. Como teatro também é cultura, e por reconhecer isto a Fundação José Augusto promove o Festival Agosto de Teatro, apesar de ninguém, absolutamente ninguém, reconhecer isso. Ninguém também fala nas Oficinas do Núcleo de Produção Digital, a edição de filmes do Nós na Tela, as atividades dos Pontos de Cultura. Ou por desconhecer ou por pura ignorância mesmo. Prefiro acreditar na primeira hipótese.

O Prêmio Literário Luís Carlos Guimarães não acabou como muitos pensam. Ocorre que a obra do ilustre poeta potiguar foi incorporado ao Programa de Editais e não foi realizado no ano passado devido a um corte orçamentário, reflexo da crise econômica que o mundo enfrentou em 2009, coisa que foge ao controle da atual gestão. Quanto a Revista Preá, a publicação teve sua 23ª edição publicada este ano, e outra está em fase de finalização. Ressalte-se que apesar das críticas de alguns, a edição de junho/julho teve boa aceitação. A unanimidade é burra! Mas não custa esclarecer que como estamos em período eleitoral a FJA foi impedida de distribuir uma nova edição – como todos sabem a publicação é gratuita -, ficando assim previsto uma data posterior a eleição a depender de recursos financeiros. Portanto, a Preá também não morreu. Sobre a Cidade da Criança, ressalte-se que apesar de estar sob os cuidados da FJA, a obra é conduzida pela Secretaria Estadual de Infraestrutura, que é que está fazendo a reforma cujo projeto está orçado em mais de R$ 7 milhões. Querer culpar a FJA pelo atraso da obra é um tanto quanto absurdo. Com relação as Casas de Cultura, primeiro se deveria conhecer as de Macaíba, Goianinha, Jardim do Seridó, Parelhas, Caicó, Lages que funcionam plenamente com aulas de dança, música, artesanato, teatro, e outras tantas atividades artísticas, ára só depois criticar. No mais, repito: Num estado em que os olhares da cultura só estão para eventos de massa, tipo Carnatal, Mossoró Cidade Junina e outros desse tipo, quando se faz algo pela cultura que valorize o artista da terra, ou não se é reconhecido ou se é ignorado.

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