Sobre o diploma de jornalismo

Por Tácito Costa

A decisão do STF de que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão é de 2009. Portanto, há cinco anos convivemos com essa realidade. E na minha avaliação tudo continuou como antes, pelo menos aqui no RN, que é a realidade que está mais próxima e que conheço melhor. Baixos salários e jornadas de trabalho insanas são a regra.

O que alguns temiam não ocorreu. De que houvesse uma invasão às redações de “jornalistas” não diplomados tomando o lugar dos que passaram pelo curso. Não aconteceu, sobretudo porque os salários nas redações não compensam e o trabalho é exaustivo.

É preciso reconhecer que a Internet tornou a situação mais complexa e nuançada. Hoje, qualquer um, com ou sem formação educacional ou intelectual mínimas, pode montar o seu jornal, revista, portal ou blog online. Com propósitos dignos ou indignos, nisso copiando a imprensa tradicional. Os aventureiros, os maus exemplos e bandidagens da imprensa analógica migraram com força para o mundo virtual. Picaretas, fakes, textos vendidos, mentirosos e alinhamentos políticos sempre existiram, não surgiram com a Internet.

Picaretagem independe de diploma universitário.

A queda do diploma tem muito mais efeitos psicológicos, perturbadores socialmente do que propriamente financeiros ou relacionados à reserva de mercado. Isso porque tornou-nos profissionais de segunda classe, nosso diploma não “vale nada”, qualquer um pode se dizer jornalista. Essa ferida narcísica incomoda a muita gente. Eu, sinceramente, não me sinto afetado. Mas entendo e respeito os que se sentem incomodados por isso.

Ao contrário da maioria, para quem o curso de Comunicação da UFRN pouco ou nada acrescentou, deve dizer que ele foi crucial para mim. Há um antes e um depois na minha vida. Graças ao curso de Jornalismo.

A convivência com os raros professores que tinham algo a oferecer; a camaradagem com alguns colegas com afinidades literárias e culturais (Nelson Patriota e Marize Castro, principalmente); e o acesso à Biblioteca Zila Mamede mudaram minha vida para sempre. Sou eternamente grato a ter entrado no curso de Comunicação da UFRN.

Torço para que o Congresso restabeleça a exigência do diploma. É uma decisão politicamente correta e vai ao encontro do anseio da maioria dos colegas. Mas se isso não acontecer não será o fim do mundo e nem ocorrerão mudanças que abalarão nossa profissão.

Chamo atenção para o texto de Sheyla Azevedo no Facebook (QUE MIMIMI DE DIPLOMA É ESSE?) sobre a questão do diploma, que vai muito além do mero contra ou a favor. Recomendo a leitura.

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