Sobre filmes, peças e livros do natalense Allan Cedrak

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O versátil artista natalense Allan Kardec Bezerra e Silva tem 34 anos e afirma ser influenciado por Charles Chaplin e Pedro Almodóvar; diz que sua sensibilidade tem origem nos sonhos, da realidade e nas cores do mundo

O Voo do Pássaro Multicor é o primeiro curta do diretor natalense Allan Cedrak, artista profícuo em múltiplas frentes.

Além deste, ele participou de dois documentários, um média-metragem, uma pequena participação no longa O Homem que Desafiou o Diabo (inspirado As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro) e de numerosas peças de teatro, pois o palco é o lugar onde Allan se expressa de modo mais marcante.

Não satisfeito, como nenhum artista deve ser, em 2011, lançou A Vida no Planeta Júpiter e seus Seres Luminosos, livro em prosa.

Ao contrário do conceito de cultura, que se refere ao plural e social, a arte pura e simples parte do ser humano, singular, para ele somente, para alguns, para o todo ou para a cultura que o cerca e da qual faz parte.

Alguns extrapolam essas possibilidades e constituem, por si sós, a própria arte.

Seja nas salas de aula dos ensinos fundamental e médio, onde leciona e brinca de inspirar artistas em potencial, seja no desassossego de criar sempre, sem descanso, Allan é uma dessas pessoas únicas, que constituem seu próprio universo.

Ser humano sui generis, pequeno mundo de atmosfera agradável.

É ver para amar, exatamente como esse filme.

“Uma flor nunca morre, e seu murchar é um novo desabrochar”, diz a protagonista Catita, vivida por Carminha Dantas, ao transcrever em uma linha toda a sua realidade, em O Voo do Pássaro Multicor.

O Alzheimer que a acomete é um demônio cada vez mais presente entre a humanidade.

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Com cenas captadas no bairro do Alecrim, O Voo do Pássaro Multicor é protagonizado pela atriz Carminha Dantas, no papel de Catita, uma senhora que sofre de Alzheimere e vê a arte emergir em sua mente

Tal e qual os fantasmas de Scrooge, faz reviver momentos que não se escolhe, sem controle ou razão.

Multifacetado que é, assombra a quem a racionalidade ainda domina.

A arte, como força motriz da criatura em que se instala, teima em emergir em meio ao caos da mente enferma de Catita.

Inocente como a criança que a cuidava, a senhorinha carismática, cativa de dimensões diferentes, vivendo duas, três, doze vidas e um não sei que número de momentos, já elegera seu derradeiro e definitivo eu.

A prisão de seu último e amado personagem era sua escolha final.

E de esquecimento em esquecimento, vinham lembranças.

Leve e tocante, o curta O Voo do Pássaro Multicor acerta sem pretensão.

Deixa a beleza e a poesia de cada etapa da vida solta no ar, a espera de ser absorvida com carinho, sem maldade.

Graduada em Letras - Língua Inglesa - pela UFRN, professora, esposa e mãe de cinco, três humanos e dois felinos. Prolixa na escrita e simples de alma. Sem a arte e a natureza, a vida seria um erro. [ Ver todos os artigos ]

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