Sobre o Bar das Sombrinhas

Por Eduardo Alexandre (Dunga)

“Caro Dunga:

Sem pretensão de ser historiador, vou lhe contar o que me lembro sobre o bar das sombrinhas que está na foto. Tudo faz crer que é da década de 1930, até pela vestimenta das pessoas que aparecem na foto, principalmente pelos chapéus dos homens.

Naquele tempo, não existia CAERN, o serviço de àgua e esgoto de Natal era uma concessão ao Escritório Saturnino de Brito, cujo desempenho deixou na época a cidade quase 100% saneada, e valiosas obras arquitetônicas e urbanísticas, que, infelizmente, a cultura vandálica predominante nesta “terra do já teve” deixou desaparecer.

Lembro que, já na década de 40, mais ou menos em 1944, no auge da segunda guerra, quando o censo demográfico registrava em Natal uma população de cerca de 55.000 mil habitantes, o contingente de militares americanos representava mais de 10% desta população, com grande influência na vida social, econômica e cultural da cidade, já existia aquele bar, e os alegres e endinheirados militares americanos costumavam frequentá-lo com as meninas igualmente “alegres” da Ribeira. Fui testemunha ocular algumas vezes.

O local era mesmo no inicio da ladeira do Sol, esquina da Rua Dionísio Filgueira com a avenida Getúlio Vargas, onde terminava a linha de bonde elétrico, em frente à casa do Coronel Guerreiro, a qual, por sinal, foi, na ocasião, ocupada pelo USO BEACH CLUB, clube social instituído pelo governo americano em todas as suas bases militares, para divertir suas tropas e fazer sua integração com a população local.

Trouxeram grandes artistas de cinema, e até a famosa orquestra de Glen Miller. Fizeram um grande show na Lagoa de Manoel Felipe, juntamente com a Tabajaras de Campina Grande, na qual brilhava o grande clarinetista de Taipu, Cachimbinho.

Fato marcante foi o entusiástico aplauso dos músicos americanos, quando ouviram o desempenho dos músicos nordestinos, sabendo-se que, hoje, quase 70 anos depois, a Tabajaras é a única orquestra no mundo que executa, com perfeição, os arranjos musicais do fabuloso Glen Miller, a ponto de o ouvinte não distinguir realmente qual das duas orquestras está tocando.

Quem deve conhecer melhor os fatos aqui narrados é o historiador Lenine Pinto ou os excelentes pesquisadores da Fundação Rampa, ou, ainda, o histórico piloto Graco Magalhães e os herdeiros dos antigos moradores do velho Petrópolis de Polidrelli e Palumbo.

Forte abraço deste seu amigo, teimoso morador de uma cidade que só existe na imaginação de alguns.

Moacyr Gomes

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