Sobre o Diploma

Vou meter meu dedo aqui.

Sou aluno do 8 período de jornalismo na UFRN e há mais de 1 ano sou contra a obrigatoriedade do diploma.

Sou contra porque enxergo a atividade jornalística como uma atividade meramente técnica que exige do profissional muito mais conhecimento de mundo, leitura e capacidade para escrever do que qualquer outra coisa. A escrita jornalística e a apuração, que são os eixos fundamentais da profissão, podem ser facilmente aprendidas em um curso técnico.

Sobre o caráter científico que Daniel colocou aqui, acredito que existe a Comunicação Social e o Jornalismo – existem os estudiosos da influência da mídia da sociedade e existem os que fazem a mídia. Óbvio que estudar a influência dela na sociedade ajudar no desenvolvimento do caráter crítico, mas ela não é uma “prioridade” do curso de comunicação. Alunos de ciências sociais estudam os teóricos frankfurtianos, por exemplo, com muito mais aprofundamento do que nos cursos de jornalismo.

Por outro lado, não acho que qualquer um é apto para o jornalismo, por isso defendo uma regulamentação da profissão que exija um diploma de qualquer curso superior e um curso técnico para quem quer ser jornalista. A regulamentação é importante para que se possa nortear e organizar a profissão, além de garantir a mínima qualidade.

Acho que é ingenuidade pensar que a medida beneficia tanto assim os empresários. Muitos deles, deixam de contratar profissionais para contratar estagiários, que fazem o mesmo trabalho e recebem duas vezes menos. Para eles, nesse sentido, não fará a mínima diferença.

Além disso, empresário de comunicação que contrata alguém que não seja apto a formar uma frase clara e concisa para escrever em um jornal é, no mínimo, um demente, porque queima dinheiro. Além de ser muita pretensão nossa imaginar que pessoas formadas em outros cursos queiram partir para uma profissão difícil e mal remunerada como a nossa.

As coisas estão sendo analisadas muito com o coração menos com a cabeça. A luta que nós futuros jornalistas (e jornalistas formados) é por uma regulamentação da profissão, não pela exigência de um diploma.

Exigir diploma pode acabar tirando muita gente boa dos jornais que estão lá por méritos próprios. Gente que possui muito mais leitura e capacidade crítica do mundo do que outros tantos formados. Aqui vale, ainda, outra reflexão: Até que pontos os cursos de jornalismo ajudam na reflexão crítica do mundo? Até que ponto contribuem para melhorar a carga literária do indivíduo?

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