Sobre os tempos que um homem guarda dentro de um poema

Tempo biográfico

 

No abismo: uma flor!

Parece solta: dispersa.

Apenas com sua pétala.

Asa.

Tecido.

Conjunto da carne

que preenche o limite

vegetal do broto-mundo.

 

Parece dançar: filosofia.

Autóctone, rega o osso

da costela.

Novena das graças

natimorto que foi.

 

Parece esguia: plena.

Sobre o plano: arde vilipêndios

ao bafo venal das horas.

Corpo vesgo

que transcende à fúria

narcísica

e estanca o evangelho

líquido do cálice.

 

Parece curva: elástica.

Signo da resiliência

do filamento.

Fio orgânico

condutor da seiva têxtil;

mineral do silêncio.

 

No abismo: uma flor jaz!

Presa ao estrume telúrico.

Sudário da matéria

anódina que é.

Chumbo da raiz

ancestral do gérmen.

Febra crônica

da vaidade

teatral do olho.

Advogado, radicado em Aracaju, SE. Diletante das artes literárias, visuais e da boa convivência. Sobre ciência, devota seu tempo a sociologia, antropologia e política. Membro fundador do honorário Grêmio Recreativo Pombo Sujo e do Movimento Sinantrópico. [ Ver todos os artigos ]

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