Sobre resistência, humor, escracho, beleza e café

Por Tácito Costa

“K” de resistência 

Neste sábado (06) o jornalista Rodrigo Hammer apareceu no Sebo Vermelho para distribuir o último número do seu zine “K” sobre cinema. São quatro páginas que ele edita sozinho, mensalmente, banca a impressão, distribui uma parte pessoalmente e outra envia pelos Correios para amigos e conhecidos. Conversamos um pouco e quando ele saiu eu fiquei pensando nesse trabalho admirável dele e de tantas pessoas que fazem arte/cultura por prazer, porque gostam e isso faz bem a elas. Um trabalho independente, de formiguinha, longe das secretarias de cultura e leis de cultura, mas que quando se soma a outras tantas micro ações ganham relevância. Eu levo muito fé nessas iniciativas quase subterrâneas que sobrevivem à margem da cultura oficial e dos patrocínios. E, inevitavelmente, penso também nos milhões que são gastos nos megaeventos culturais e como uma parte desse dinheiro daria para fomentar tantos micros eventos e ações que criariam um dinamismo cultural muito interessante. Mas, o problema é que isso não gera repercussão, ‘mídia’, como dizem. E, principalmente, votos, então não recebe quase nenhuma atenção dos governos.

O gordo era muito engraçado

Tem um canal na NET, chamado Viva, da Rede Globo, que dedica parte de sua programação a reprisar programas antigos da TV Globo. Na semana passada eu liguei na hora em que estava passando Viva o Gordo, com Jô Soares. Eu era fã desse programa. Esse episódio que vi foi ao ar no tempo do Governo Sarney, tempos do Cruzado, com aquela crise econômica gigantesca, o que era um prato cheio para todo tipo de malhação de Jô. É provável que os mais jovens, caso assistam, fiquem meio perdidos porque as referências são todas datadas. Mas, vendo agora, tantos anos depois, ainda acho os quadros do “gordo” saborosos.

 Você querem bacalhau!?

É muito bom “Chacrinha, o musical”, que também assisti no canal Viva. A exibição é enriquecida com umas falas extras do ator Stepan Nercessian, que faz o Chacrinha velho – o jovem é feito por Leo Bahia, e videotapes do “Cassino do Chacrinha”. Interessante pra gente comparar com a chatice dos programas de auditório atuais, sobretudo o de Fausto Silva, chatérrimo, programa e apresentador. O texto do musical é de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira e direção musical e arranjos de Delia Fischer. Chama atenção os embates do diretor Boni, da Globo, com Chacrinha, tentando “enquadrar” o programa do ‘velho guerreiro’, que na visão do diretor precisava ter ‘padrão global”. Felizmente, o escracho prevaleceu.

Um belo filme

Foram necessárias duas sessões, ambas lotadas, para abrigar as pessoas que foram ontem (06) ao encerramento do Goiamum, na Pinacoteca, assistir o documentário “Sal da Terra”, sobre Sebastião Salgado, dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião. Um filme muito bonito e tocante, mostrando a trajetória singular de Salgado, que de economista, obrigado a fugir da ditadura nos idos de 1960 para a Europa, se torna um dos fotógrafos mais importantes do mundo. No final o fotógrafo Giovanni Sérgio fez observações muito interessantes sobre a vida e obra de Salgado. A exibição tornou-se possível graças aos esforços do pessoal da Aphoto.

Vamos tomar um café quinta-feira?

Na próxima quinta-feira, 11, estarei na Nobel (Av. Salgado Filho) a partir das 19 horas, no Café Literário comandado pelo escritor Thiago Gonzaga, dividindo uma mesa com os colegas jornalistas Osair Vasconcelos e Maurício Pandolphi para falar sobre umas coisas aí que não sei ainda bem o que são – rs. Só espero que seja divertido. Esse Café de Thiago é outro que se encaixa 100% no comentário de abertura, são trabalhos como esse que fazem a gente não perder a esperança e seguir em frente.

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