“Resma” e “Clássicos…”

resma

Por Tácito Costa

Ainda não tive tempo de ler o novo livro do poeta Lívio Oliveira, “Resma”, que ele gentilmente entregou-me no meio da semana no meu local de trabalho. A obra será lançada sexta-feira, 23, na Cooperativa Cultural da UFRN (Campus) e reúne 64 poemas. Gostei do projeto gráfico, sobretudo o formato, o que já adiantei pra ele. A edição é da Caravela Selo Cultural, do editor José Correia Torres Neto, que também assina o prefácio e afirma: “Os poetas que surgem (ou que ressurgem) terão uma referência de contemporaneidade quando perceberem que o ritmo desse livro traz uma concepção de sentimento do que é escrever – que seja poesia, prosa e até escrita de silêncio.”

Abaixo o poema que dá título ao Livro:

RESMA

Arrasta um olho até que
(no canto) oblíquo
o esquerdo da página
onde o trabalho é vértice
e o avesso do próprio
tempo-cenário
seja negado acúmulo teatral
das letras grandes e miúdas

reapareça no mundo

sentido o(culto)
de toda palavra
intensa à farta medida
da hora ardente
na ponta esferográfica
que restou inquieta

e a coisa em si:

tatuou-se na mente
e nas palavras raras
forjaram-se vozes
noutra plástica cena
em falso arranjo
de rosas brancas
deitadas em oceano.

********

Logo que acabe “Clássicos, rebeldes e renegados – Intérpretes do Brasil” inicio a leitura de “Resma”.

“Clássicos, rebeldes e renegados” foi presente do professor Marcos Silva Chegou pelos Correios no início do mês. Marcos participa do livro organizado pelos professores de História da USP Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco com um texto sobre Câmara Cascudo. Por sinal, o primeiro que li. Gostei demais, Marcos tem feito um trabalho fantástico no sentido de situar o autor norte-rio-grandense entre os grandes intelectuais do país que buscaram entender o Brasil.

Faço uma leitura salteada. De Cascudo, pulei para Gilberto Freyre, Darci Ribeiro e cheguei ontem à noite em Sérgio Buarque de Hollanda. Um por noite – rs. São ao todo 27 estudos e ensaios escritos por reconhecidos especialistas acadêmicos que se debruçaram sobre a vida e a obra de alguns dos principais intérpretes da história e da cultura no Brasil, traçando um amplo panorama do pensamento crítico político-social brasileiro dos séculos XX e XXI.

Os livros são imprescindíveis. E sobre o Brasil então, país que, segundo Vinícius, não é para amadores, mais ainda. Infelizmente, o que tem de gente emitindo opinião sobre tudo e todos e falando besteira a granel nas redes sociais sem ter sequer aberto um livro nos últimos anos não está no gibi. Talvez na Caras.

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