Sobre “Vida Vadia”

Por Demétrio Diniz

Agora, como uma promessa na ficção potiguar (esta de reduzido número de contistas e raras presenças femininas), surge Denise Araújo com o seu conto de estréia “Vida Vadia”. Dele se podem extrair passagens que servem de alerta para a tendência que se nota na sociedade, de uma exacerbada exposição pessoal: outdoors, pára-brisa e lateral de ônibus transportam das Rocas às Quintas notícias de dor ou felicidade, coletivizando, tornando públicos sentimentos íntimos de dor ou alegria.

A essas pessoas fica a advertência de Denise: “Pessoas felizes não tem gritos”. O que é pura verdade. Penso, complementando a frase, que quem alardeia é porque teme que o vácuo seja maior do que o eco. Achados como este se reproduzem no conto, como mais este: “A solidão que por aí verseja não é maior que a minha”.

Parabéns a Denise, e seja também por sua beleza e simpatia bem vinda à ficção.

ao topo