Socorro! Afrosurtei!!

Penso que talvez este seja um dos assuntos mais importantes para nós negres, porque todes, em algum momento da vida, passaram ou passarão por isso.

O termo “afrosurto” foi cunhado pela doutora Aza Njeri, durante seu pós-doutoramento em filosofias africanas pela UFRJ. Segundo a filósofa, “afrosurto” seria um mal psíquico que acomete pessoas negras na diáspora. Ou seja, seria aquele momento de lucidez do fenômeno do racismo no nosso cotidiano. É nesse exato momento de tomada de consciência que a gente relembra todas as situações de dor pelas quais passamos, mas agora cientes que foi o racismo o fator que motivou todas as violências contra nós.

Enquanto eu lia o artigo Afrosurto, de Aza Njeri, me senti acolhida por compreender que todo o processo pelo qual passei estava sendo agora nomeado e estudado por uma intelectual negra. Que alívio não ser novamente objeto de estudo e ter as minhas experiências analisadas por pessoas brancas, que nunca saberão na pele o que é ser negre neste país!

Aza Njeri é doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora de África e Afrodiáspora. Desenvolve trabalho de interface e crítica teatral e literária, com artigos publicados nas colunas semanal no site Rio Encena (rioencena.com/author/aza) e quinzenal no Blog.G (gabyhaviaras.com/blog-ponto-posts/category/Aza+Njeri), além de integrar o premiado Segunda Black, o Grupo Emú e o Fórum de Performance Negra-RJ. Poeta e dramaturga, ela tem um canal no YouTube sobre divulgação e conhecimento afroperspectivado sobre África e Afrodiáspora (www.youtube.com/azanjeri).

Então, hoje pensei em escrever e compartilhar não apenas o teor da pesquisa da filósofa, mas também discorrer sobre a relação que isso tem com a minha conduta. O “afrosurto” acontece quando ampliamos nossas leituras e visões de mundo, e passamos a perceber o racismo onde antes havia a naturalização dos fatos. Como algumas vezes recebo mensagens de leitores que, de alguma forma, despertaram para a discussão a partir desta coluna, senti a necessidade de alertar sobre o que se segue.

A doutora Aza Njeri fala da importância de canalizarmos nossas energias para algo produtivo e edificante. Estamos falando de militância; produzir com e para o nosso povo. Frases de efeito e fotos artísticas nas redes sociais não podem ser confundidas com um trabalho de base. Escrever textos reflexivos e honestos sobre o tema foi a forma que encontrei de direcionar minhas forças para o que realmente importa. Não compreendo minhas redes sociais como militância, mas espero, de coração, está ajudando outres negres a ir além. “Afrosurtou”? Segue a coluna semanalmente e vamos juntes caminhar rumo ao sul. Sigamos

Africana em diáspora, educadora, escritora e pesquisadora. [ Ver todos os artigos ]

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