Sol Negro Edições (RN) lança campanha pra financiar livro

A Sol Negro Edições lança “Os vivos (?) e os mortos”, grande poema do pernambucano Fernando Monteiro, com ilustrações de Chico Díaz, e uma campanha no Catarse pra ajudar no custo da publicação.

O livro tem um projeto gráfico desenvolvido especialmente para acompanhar e dialogar com o texto do poema, criado em parceria pelo editor e designer Márcio Simões e o ilustrador Chico Díaz.

Conhecido por seu trabalho como ator, especialmente para a rede Globo de televisão e para o Cinema, Díaz também é artista visual e esse é o primeiro livro ilustrado por ele.

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Na edição, o texto do poema aparece na cor branco, em páginas negras, intercalado em cada uma de suas partes pelas imagens vorazes e torturadas de Díaz, que também abrem e encerram o livro, reforçando e intensificando o tema tratado.

O papel utilizado, mais espesso que o comum, tem gramatura de 120g/m2, de melhor acabamento, garantindo a opacidade entre as páginas e a melhor impressão possível para o livro. A edição conta ainda com uma apresentação do poeta e professor Sérgio de Castro Pinto.

Casa da Morte de Petrópolis, imóvel situado na Rua Arthur Barbosa, no bairro Caxambu, que abrigou na década de 1970, durante a ditadura militar, um centro clandestino de torturas e desaparecimentos políticos. 

Orelha

Dando continuidade ao seu projeto poético de livros da Sol Negro Edições lança “Os vivos (?) e os mortos”, grande poema do pernambucano Fernando Monteiro, com ilustrações de Chico Díazcom longos poemas temáticos (Vi uma foto de Anna Akhmátova, Mattinata, Museu da Noite), Fernando Monteiro aborda neste “Os vivos (?) e os mortos” o abjeto aparato de perseguição e tortura da ditadura militar brasileira instaurada em 1964.

O poema gira em torno da chamada “casa da morte”, residência localizada no número 668 da rua Arthur Barbosa em Petrópolis, no Rio de Janeiro, usada por membros do regime militar para torturar e assassinar presos políticos durante os anos 1970.

Centro clandestino, do qual ninguém saía vivo, sua localização e história só se tornaram conhecidas graças às denúncias da única sobrevivente entre os que foram levados ao local, a dirigente da organização var-Palmares Inês Etinne Romou, que foi torturada e estuprada por três meses no local antes de ser jogada, aparentemente morta, numa rua nos subúrbios do Rio (os mortos da casa eram normalmente esquartejados e enterrados nas cercanias da própria residência).

Mas, ao mesmo tempo que trata dos “mortos” da ditadura e da geração altruísta que lutou contra ela, Monteiro traz o seu poema até os dias atuais, expondo os contrastes entre aquela geração combativa e os “vivos (?)” da geração atual, passiva e enfeitiçada como Narciso pelo espelho das telas e algoritmos.

Edição tem texto do poema na cor branco, em páginas negras, intercalado com imagens de Díaz, que também abrem e encerram o livro.

O sinal de interrogação (?) depois de “vivos”, já no título do poema, coloca desde o começo a provocativa indagação que o poema não quer calar: o quão realmente vivos estão os seres humanos de hoje?

Evoca, assim, nesse (des)encontro entre vivos e mortos, o país atual onde troam e repercutem os discursos e atos de ódio, os linchamentos virtuais, o ressentimento e o delírio generalizados.

Num momento em que se defende abertamente a tortura, e o autoritarismo e o obscurantismo tomaram a administração pública, o poema de Monteiro afirma com todas as letras que tortura é horror e absoluto fracasso humano e civilizatório, que perseguição realizado pelo Estado é terrorismo, e que todo obscurantismo é inaceitável.

E o faz sem nenhuma espécie de propagandismo ideológico ou alinhamento partidário, mas num poema de cuidadosa fatura estética. Demonstra que é preciso resistir e persistir inabalavelmente na dura tentativa de “escrever versos para os vivos / que não estejam mortos”.

Biografias

Fernando Monteiro nasceu no Recife, em 1949. Escritor, poeta e cineasta, estreou com o livro Memória do Mar Sublevado (Editora Universitária, 1973), poema longo como os que seguiu publicando em 1981 ‒ Leilão Sem Pena (Edições Pirata) ‒ e, em 1993, quando lançou, pelo selo do lendário editor paulista Masso Ohno, o premiado Ecométrica.

Após o que, voltou-se para o romance, e veio a publicar, em Portugal, pela prestigiosa editora Campo das Letras, o também premiado Aspades, Ets Etc.

Fernando Monteiro é escritor e cineasta

Seu segundo romance foi distinguido com o primeiro Prêmio bravo! de Literatura/1998, e vieram, nos anos seguintes, A Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro e Armada América (pela W11 Editora, sp), O Grau Graumann pela Editora Record e As Confissões de Lúcio pela Francis Editora.

Em 2009, ano em que foi o homenageado do sétimo Festival de Literatura [“A Letra e a Voz”] retornou ao verso com o poema longo Vi uma foto de Anna Akhmátova, a que se seguiu Mattinata (2012), em coedição da Sol Negro Edições com a Edições Nephelibata.

Em 2017, foi o autor homenageado da Bienal Internacional de Literatura de Pernambuco, e prosseguiu na poesia com Museu da Noite (Editora Confraria do Vento, 2018).

Chico Díaz nasceu na Cidade do México em 1959, ator, arquiteto, artista plástico. Viajante. Infância passada entre Costa Rica, Peru, EUA, Brasil e Paraguai. Formado em arquitetura pela UFRJ, nos tempos das sombras fugiu para o  teatro e logo foi sequestrado pelo cinema.

Chico Díaz é ator, arquiteto e artista plástico

Em 1981 fez O sonho não acabou, de Sérgio Rezende, que acabou sendo o primeiro de mais de 80 filmes nacionais e internacionais, reconhecidos e premiados, entre eles Corisco e Dadá de Rosemberg Cariri, Amarelo manga de Cláudio Assis, Os matadores de Beto Brandt, dentre outros.

Trabalha também na televisão brasileira e no teatro. A lua vem da Ásia de Campos de Carvalho é seu monólogo mais visto. Recentemente esteve em Lisboa no Teatro do Bairro, sob direção de Antônio Pires com a peça Biografia de um poema de Carlos Drummond de Andrade e filmou com João Botelho, em 2019, O ano da morte de Ricardo Reis de José Saramago, com lançamento previsto para 2020.

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