Solidariedade ao diretor iraniano Jafar Panahi

RIO – Um grupo de cineastas brasileiros prepara um ato de solidariedade ao diretor iraniano Jafar Panahi, preso desde 1 de março pelo governo de seu país. Panahi foi detido durante uma festa em sua casa, junto a sua mulher, sua filha e outros 15 convidados, por fazer oposição ao regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Na próxima quinta-feira, então, Rio e São Paulo terão exibição de filmes do diretor de “O balão branco” (1995) e “O espelho” (1997), seguida de debates. A ação deverá se repetir em outros países.

A articulação tem sido feita pela internet, pelo também diretor iraniano Alireza Khatami. “Isso não é apenas a respeito de Jafar Panahi. É sobre a liberdade de expressão. É sobre esperança e paz. É sobre nós, todos nós”, escreveu Khatami para cineastas de todo o mundo.

Em 2009, Panahi apoiou o líder da oposição iraniana, Houssein Moussavina, na disputa presidencial, cujo resultado foi a reeleição de Ahmadinejad. Na época, a oposição acusou o governo de manipular o pleito, o que acabou mergulhando o país numa crise de instabilidade política, com protestos e passeatas.

” Lugar de artista é na rua, não na cadeia. Por isso estamos preparando este ato de solidariedade a ele ”

– Lugar de artista é na rua, não na cadeia. Por isso estamos preparando este ato de solidariedade a ele – explica o diretor Silvio Tendler.

Além de Tendler, o grupo de brasileiros signatário do movimento inclui Cacá Diegues, Walter Salles, José Joffily e Jorge Durán, entre outros. No Rio, a homenagem será realizada na PUC, em horário ainda a ser definido. Em São Paulo, será no Arteplex. Uma página no Facebook também foi criada pedindo a libertação do diretor e já conta com quase três mil membros.

Panahi é um dos principais cineastas do Irã. Em 2000, ele recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza por “O círculo”, e, em 2006, um Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim por “Fora do jogo”. No último 16 de fevereiro, porém, o governo do Irã já tinha dado indícios de sua insatisfação com Panahi, quando proibiu que ele deixasse o país para participar de um debate em Berlim. Em nota, o diretor do festival, Dieter Kosslick, afirmou: “Nós estamos surpresos e lamentamos profundamente que a possibilidade de um diretor que ganhou tantos prêmios participar de nosso festival, para falar de suas visões cinematográficas, tenha sido negada”. (O Globo)

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