Solte! Ela flutua

Por Florence Dravet

Era madrugada. Depois da prece. Depois da leitura e da escritura. De joelhos ainda. Vi entre minhas mãos abertas uma bola gigante de cristal rosa que tinia, luzia. Beleza Pura. O Velho apareceu e disse que era o Amor. Fiquei ali agarrada, maravilhada, chorando feito criança. – Solte! Ela flutua, disse ele. Vi toda a ternura do mundo no fundo de seus olhos. Sua boca não se mexia, mas sua voz ressoava doçura por todo o quarto: – Solte… Solte… Solte… Ela flutua.

Via a ternura toda. Ouvia o som, a Beleza Pura. E não soltava. Estou carregando o Amor nas mãos, eu pensava. Ele parece tão frágil. Como posso vê-lo cair e se quebrar em milhares de pedaços aos meus pés?

Meu coração se encheu de medo. Então, o Velho se foi. A bola sumiu. E eu entendi.

Chamei de volta. Mas já era tarde.

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