O som nosso de cada domingo já faz parte da história cultural de Natal

som publico varias idadesAntes mesmo das 16h30 a plateia já está acomodada diante do palco. Velhos, crianças e adultos. Todos ansiosos para ouvir a voz dos instrumentos. Nada mais que isso. Nem precisa. O redor cercado de verde no Parque das Dunas pede comunhão entre natureza e som. Um Som da Mata. A vegetação da Mata Atlântica, da Caatinga e do Tabuleiro Litorâneo já se acostumou ao som instrumental. São dez anos de parceria!

Você aí lembra algum projeto cultural potiguar com mais de 200 edições? Talvez apenas o Seis e Meia, que caiu no limbo da memória, do saudosismo costumeiro da cena local. E o Seis e Meia durou graças aos artistas nacionais, sejamos sinceros. O pátio do Teatro Alberto Maranhão, via de regra, permanecia cheio enquanto o músico local se apresentava. Todos à espera do “gran finale” nacional.

som arteO Som da Mata promoveu 253 concertos com 99% de artistas potiguares. E todos amparados no charme-mor do projeto: a pouco difundida música instrumental. O gênero considerado erudito, pouco atrativo ao público, enfadonho. No domingo do Faustão, a capacidade de 300 pessoas sentadas no Anfiteatro Pau Brasil é pouca para tanta gente. No entorno por vezes dá outras 300. É raro um lugar vazio.

E por que o assunto Som da Mata numa terça-feira? Pelos dez anos do projeto? Não. Por que neste próximo domingo teremos showzaço com um encontro de trombonistas? Também não. Por que hoje é aniversário de nascimento de Manoca Barreto, quem inaugurou o projeto com o primeiro concerto em 2 de julho de 2006? Não, para ele ainda será feita homenagem este ano. É porque o poemúsicovideomaker Carito lançou um filmaço sobre o Som da Mata nesses dias. Confiram abaixo:

O documentário é resultado de mais uma parceria de Carito e do produtor Marcos Sá, idealizador, incentivador e promotor do Som da Mata. Um projeto para além do registro ou junção de imagens, mas um documento cinematográfico. O filme mostra trechos de shows entre 2015 e início de 2016 e foca no poder da música instrumental, no reconhecimento de músicos potiguares consagrados ou na valorização dos artistas mais novos, além do apoio ao trabalho autoral, à formação de platéia, e o diálogo entre a arte e a natureza.

som lotadoCarito sintetizou 10 anos em menos de 15 minutos. Além de depoimentos de músicos e do púbico, nesse filme também se faz importante a participação dos patrocinadores em depoimentos emocionantes, onde se percebe o envolvimento e a identificação deles com os valores humanos e artísticos do projeto: a música como instrumento de educação e transformação, e até como agente fundamental para a saúde e bem estar da sociedade.

Como um exercício de investigação de linguagem, foram inseridas várias ilustrações feitas especialmente para o filme, criadas pela artista visual Paula Vanina, agregando valor artístico e poético ao doc. Da mesma maneira que foram inseridas nas ilustrações frases universais sobre a importância da música para o ser humano, de diversos pensadores da historia da humanidade. “Vejo também a edição dinâmica e precisa de Eli Santos como um dos pontos fortes desse trabalho”, ressalta Carito.

O título do filme – O Som Nosso de Cada Domingo – reflete a consolidação de um projeto decano já inserido não só no calendário cultural da cidade, mas na história de Natal. Está numa gaveta pequena dedicada aos poucos projetos sustentáveis e de longa data promovidos na capital potiguar, como o Domingo na Praça, o Ribeira das Artes, o Seis e Meia…

Marcos Sá de Paula. Foto: Carito
Marcos Sá de Paula. Foto: Carito

Tudo culpa de Marcos Sá de Paula. Em 2006 ele fazia um trabalho para o Idema quando o Governo do Estado dotou o Parque das Dunas de diversos equipamentos, dentre eles o Anfiteatro. Precisava de algum projeto de ocupação, quando, depois de muita discussão, chegou-se à conclusão que deveria ser de música, e para dar o diferencial, deveria ser um espaço à música instrumental.

O projeto começou via Proeco, uma espécie de braço do Idema para promoção de projetos especiais. Mas o pagamento dos artistas e da equipe de trabalho se dava pela Agência Cultural do Sebrae/RN, e o Ministério Público implicou com a situação. Segundo o órgão, não era função do Sebrae esse tipo de repasse. E Marcos, então, precisou se desligar do Proeco e continuar com o projeto pela sua própria produtora.

Nesse percurso, como de praxe, Marcos enfrentou dificuldades de captação de patrocínio. E depois de um recesso de quase três anos, desde setembro de 2013 o projeto é viabilizado pela Renúncia Fiscal da Prefeitura através da Lei Djalma Maranhão e do aporte financeiro da Unimed Natal, Clínica Trauma Center e Contemporâneo. Todos unidos pelo som nosso de cada domingo.

FOTOS: TIAGO LIMA

FICHA TÉCNICA DO DOC:
Direção, Roteiro, Fotografia e Som Direto: Carito Cavalcanti
Edição e Finalização: Eli Santos
Ilustrações: Paula Vanina

Depoimentos:
Antônio Francisco de Araújo
Dimetrius Ferreira
Henrique Lopes
Ian Medeiros
Irani Xavier Andrade
Leandro Menezes
Márcio Ramalho
Marcio Tassino
Mauricio Candussi
Pedras Leão
Raphael Evangelista
Renan Amantéa
Sérgio Groove
Tácito Costa
Walter Nazário

Participações:
Banda Atmadas
Chico Bethoven e Regional Choro do Elefante
Chico Correa e Coletivo N-trance
Carlos Zens e Banda Rabeca Peixe-Boi
Duo Finlandia
GRUPPERC
Igapó de Almas
Mahmed
Rogério Pitomba
Sergio Groove
III Encontro dos Trombonistas do RN
Wallid Abbas

Patrocínio: Prefeitura de Natal, Programa Djalma Maranhão, Unimed Natal, Contemporâneo e Trauma Center.
Realização: Praieira Filmes e SadePaula Produções Criativas
Apoio: Pinote Mídia & Produção Cultural

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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