Somos todos irmãos de sangue

Somente hoje vim assistir ao documentário “Três Irmãos de Sangue” (Ângela Patrícia Reiniger, Brasil, 2006). E eu o vi pelo canal NBR, na TV a Cabo. E me apaixonei, de cara.

Extremamente profundo e comovente, o filme trata da história desses fantásticos e geniais irmãos brasileiros: Betinho, Chico Mário e Henfil.

No decorrer das imagens, pontuadas quase sempre pela bela música de Chico Mário (destaque para “Ressurreição”), pode-se ter, também, um raio-X de um Brasil recente, mas que já experimentou tremendas mudanças.

Ditadura, anistia, movimento das Diretas-já, eleição de Tancredo, prisões, bombas, liberdade, AIDS, hemofilia, solidariedade, luta contra a doença, campanha contra a fome, arte, criatividade, música, cartunismo, alegria, tristeza, vida, morte, tudo é tema desse intenso documentário.

Vê-se, através da  história desses três irmãos maravilhosos, a história de um país que vem superando seus graves problemas.

Hoje, a AIDS é um problema menos dramático e acredito que os bancos de sangue brasileiros são mais vigiados e fiscalizados.

Hoje, já somos veteranos, experimentadíssimos em eleições diretas, e damos exemplos para o mundo de eleições técnicas e claramente democráticas, tendo eleito um operário e uma mulher para a presidência.

Hoje, temos vencido a fome e a miséria. Apesar de faltar um longo caminho a trilhar.

Hoje, estamos tentando superar a violência e o tráfico.

Para isso tudo tivemos os exemplos de coragem daqueles três irmãos hemofílicos,  mortos cruelmente pela AIDS.

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Vale lembrar, em homenagem aos caras e ao nosso combalido, porém esperançoso Brasil , a canção “O Bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc:

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!…

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil…

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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