Soneto da paixão arrebatadora

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A beleza nos sujeita e nos apressa
Torna as horas ansiosas, enlouquecidas
As nuvens não vagam mais despercebidas
Nas asas do vento a  alma atravessa.

A paixão se dá em velocidade perversa
Arrasta-nos na sua poeira de fantasia
Porém, nalgum instante, súbito, ela esfria
Pelos becos, sem esperança, a alma regressa.

Nesta hora, entregue à dor e à indigência
Sob o peso das ilusões estremecidas
O coração desiludido perde a cadência.

A alma vai reservar-se, triste e contida
No lugar mais escuro e infeliz da existência
A vida não a amará mais, nem ela a vida.

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Cileide Cabral 3 de março de 2013 4:09

    Quem me viu? diz minha alma teimosa em esconder-se!

    Beijo meu amigo!

  2. thiago gonzaga. 19 de dezembro de 2012 15:01

    Que soneto lindo, muito bom, gostei muito.

  3. Anchieta Rolim 17 de dezembro de 2012 6:48

    Poeta!

  4. Jarbas Martins 15 de dezembro de 2012 8:34

    Mas vamos de haicai, poeta Olavo Saldanha. Essa forma fixa, também de grande prestígio no Ocidente, aprendi a fazer com meus mestres Luís Carlos Guimarães e Lívio Oliveira. Aqui sai sem a formatação que eu desejaria, mas vaI assim mesmo: TANGO BAR / Tango, por favor ! / Sem o rosto do amar sem gosto. / Distante e indolor.

  5. Jarbas Martins 14 de dezembro de 2012 17:54

    Obrigado digo eu, amigo Olavo Saldanha. E que São Olavo Bilac nos ilumine.

  6. Olavo Saldanha 14 de dezembro de 2012 16:49

    Jarbas, suas palavras são um incentivo a melhorar sempre. Tenho um fascínio grande pela rima, mas acho que estou fora da época da majestade dela e ainda sem um bom ritmo para este maravilhoso formato que é o soneto.

    Vou continuar fustigando o soneto, por amá-lo demais, e não saber fugir do seu encanto. Quiçá num momento desses me saia um daqueles irretocáveis.

    Obrigado pelas análises,sei que vem de quem conhece muito e ajudam a quem quer viver a poesia. abraço

  7. Jarbas Martins 14 de dezembro de 2012 8:55

    soneto é foda ! parabéns pela coragem, Olavo Saldanha.

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