Soneto do olho do cu

Amigos e amigas:

João da Mata publicou um interessante poema, abordando tema tornado clássico, na modernidade, por Rimbaud e Verlaine (classicamente, Aretino e Bocage, para citar apenas dois, percorreram o mesmo universo muitos séculos antes).

Traduzi o belo poema de Rimbaud e Verlaine, versão incluída na coletânea de tradutores potiguares, organizada por Nelson Patriota:

Soneto do olho do cu
Arthur Rimbaud e Paul Verlaine
Tradução de Marcos Silva

Obscuro e pregueado cravo violeta
Respira, humildemente no meio da espuma
Inda úmida de amor que em doce encosta ruma
Da brancura da bunda à beirada da meta.

Filamentos tais como lágrimas de leite
Choraram, sob o vento cruel que os repele,
Através de coágulos de barro em pele,
P’ra se perder depois onde a encosta os deite.

Mi’a boca se ajustou muita vez à ventosa
Minh’alma, do coito material invejosa,
Fez ali lacrimal e de soluços ninho.

Azeitona em desmaio e taça carinhosa
O tubo onde desce celeste noz gostosa
Canaã feminino em suor muradinho!

xxxxx

Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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