Sopros de Vida no TAM

No Teatro Alberto Maranhão uma grande peça protagonizada por duas excelentes atrizes brasileira Nathália Timberg e Rosamaria Murtinho. Melhor seria se o texto tivesse sido ouvido em sua totalidade. Ouvíamos sussurros de vozes muitas vezes dita de costas para o público. Duas tarimbadas atrizes esqueceram um principio básico do teatro, aquele que as vozes devem atingir uma velhinha quase surda sentada na ultima fila da plateia.

A peça escrita pelo dramaturgo inglês David Hare, autor dos premiados roteiros adaptados para os filmes “ As Horas” e “O Leitor”, tem um texto atualíssimo e denso. Direção do Naum Alves de Souza com excelentes figurinos de Beth Filipecki e Cenários de Celina Richers.

Sopros de Vida estreou nos palcos londrinos em 2004 com duas grandes atrizes britânicas, Judi Dench e Maggie Smith. A peça possui grandes diálogos entre duas mulheres que amaram o mesmo homem. Frances é a esposa (Rosamaria Murtinho) e Madeleine (Nathalia Timberg a amante mais velha que a esposa. As duas são escritoras. Madeleine é uma ex- ativista dos direitos humanos dos fabulosos anos 60/70. e se refugia numa ilha. Depois do divórcio a esposa procura a amante para falar do homem amado por ambas e que as deixam para viver com outra mais nova. A ex-esposa deseja escrever um livro biografia que seja “ Realista” e não uma ficção. “ Toda ficção é mentirosa”. O livro contaria a história do triangulo amoroso e é esse o pretexto para a conversa muitas vezes incomodas entre as belas atrizes que protagonizam um tour de force poucas vezes visto no teatro. Melhor, repito, seria se o grande texto do Hare tivesse sido ouvido na sua totalidade.

Hoje, domingo, é o ultimo dia da peça no TAM. Se a direção do teatro desejar que eu comente o teor da peça na sua integridade, me convide. Fiquei com a sensação de ter visto uma grande peça pela metade. Teatro é, sobretudo, VOZ. E os atores brasileiros precisam aprender a falar. A falar para o público.

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Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 14 de novembro de 2011 13:36

    Queridos amigos, boa atrde

    Sim. Irritante o tal do celular com seus sons e luzes nos cinemas e teatros.

    No caso do Teatro fiquei na “fila J” e não ouvi praticamente nada. Fiquei irritado. Pessoas na fila da frente e ao lado foram embora.
    Falei no domingo com a produtora e ela disse que eu podia ter ficado mais na frente. Como? – Na frisa.
    Falou também que no domingo eu poderia ir pagando. Não acatou o meu apelo de assistir a peça novamente para ouvir o rico diálogo. Só se comprasse o ingresso por R$ 70,00.
    Acho também que devemos reclamar. Os atores estão acostumados com televisão com microfones. No teatro é diferente. Eles precisam lembrar que não tem microfone e a platéia precisa ouvir

  2. Sheyla Azevedo 14 de novembro de 2011 11:59

    Caríssimo João da Mata, eu estava lá e senti a mesma dificuldade que você, em ouvir bem o brilhante diálogo das duas. Quando elas se dirigiam ao fundo do cenário, ficava mesmo difícil de ouvir. Cordial abraço, Sheyla,

  3. Marcos Silva 14 de novembro de 2011 11:49

    Não assisti a esse espetáculo, nunca vi Rosamaria Murtinho ao vivo. Há décadas, assisti a uma montagem de “Entre 4 paredes”, de Sartre, com Nathalia Thimberg. Excelente atriz. Dicção claríssima, força dramática, concisão expressiva. Na tv, costuma ser atriz, ao contrário de quase todos os colegas de novela. Lembro do quase sempre desagradável Paulo Francis colocando-a, junto com Beatriz Segal, num nível similar ao de Fernanda Montenegro (dos bons tempos, pré-novelas arquetípicas).
    Ficar de costas para o público não impede um bom ator de ser ouvido, projetar tecnicamente a voz – qualquer aula de dicção encara essa situação. Evidentemente, atores são seres humanos, às vezes estão com problemas de saúde, noutras vezes estão meio mal psicologicamente, não rendem tudo. E existe o o teatro como prédio, o público (às vezes barulhento).
    Embora considere Antonio Fagundes frequentemente chato, ele tem razão em relação a celulares: se alguém atender na platéia, o espetáculo deve ser interrompido até que a ligação acabe ou o telefonista se retire. Melhor ainda definir um acordo preliminar: os celulares devem ser desligados em teatros, cinemas e similares. Para manter o celular e o fixo ligados, sempre existe a boa e velha tv em casa, com a programação de praxe, não é?

  4. Flávia Assaf 14 de novembro de 2011 11:23

    De fato, em alguns poucos momentos Nathália Timberg dava seus textos de costas para o público. Mas, isso não me afetou tanto quanto um bando de loucos que vão ao teatro, pagam R$70,00 reais e ficam falando O TEMPO TODO. Além deles, é claro, os tarados do celular: aquees que ficam brincando com seus smart phones (mais smart que os donos), nos oferecendo aquela belíssima luz azul, quando o que a gente queria mesmo era o escurinho da platéia.
    Fico imaginando o que é que faz um bando de 5 pessoas sair de casa para assistirem um peça densa (não leram o programa?) e não prestarem atenção ao texto?
    O comportamento das platéias de cinema e teatro em Natal está pra lá de absurdo! Acabou-se o acordo coletivo e civilizado da cohabitação nas salas de espetáulos. É a barbarie! Mas, se é a brabárie, por que o fulano e a fulana saem de casa para presenciar a execução de trabalho artístico?
    Qual o sentido da ida dessas pessoas ao cinema e principalmet e ao teatro . Se não querem ver, que fiquem em casa e não nos encham a paciência!
    Pela volta do silêncio reverencial nas salas de cinema e espetáculos!

    • Tácito Costa 14 de novembro de 2011 13:16

      Um bando de imbecis, bárbaros. Do mesmo nível desse pessoal dos carros com som nas alturas (Jairo falou disso aqui hoje). Inferno na rua e em ambientes como salas de cinema e teatro etc. Eu tenho evitado ir ao cinema, só em último caso, prefiro assistir os filmes em casa pra não me irritar. Sinto muito, amiga, mas esse seu apelo não sensibilizará nem um pouco essas “pessoas”.

  5. João da Mata 13 de novembro de 2011 19:01

    Texto Corrigido. Dois errinhos de digitação

    Sopros de Vida no TAM

    No Teatro Alberto Maranhão uma grande peça protagonizada por duas excelentes atrizes brasileira Nathália Timberg e Rosamaria Murtinho. Melhor seria se o texto tivesse sido ouvido em sua totalidade. Ouvíamos sussurros de vozes muitas vezes dita de costas para o público. Duas tarimbadas atrizes esqueceram um principio básico do teatro, aquele que as vozes devem atingir uma velhinha quase surda sentada na ultima fila da plateia.
    A peça escrita pelo dramaturgo inglês David Hare, autor dos premiados roteiros adaptados para os filmes “ As Horas” e “O Leitor”, tem um texto atualíssimo e denso. Direção do Naum Alves de Souza com excelentes figurinos de Beth Filipecki e Cenários de Celina Richers.
    Sopros de Vida estreou nos palcos londrinos em 2004 com duas grandes atrizes britânicas, Judi Dench e Maggie Smith. A peça possui grandes diálogos entre duas mulheres que amaram o mesmo homem. Frances é a esposa (Rosamaria Murtinho) e Madeleine (Nathalia Timberg a amante mais velha que a esposa. As duas são escritoras. Madeleine é uma ex- ativista dos direitos humanos dos fabulosos anos 60/70. e se refugia numa ilha. Depois do divórcio a amante procura a mulher para falar do homem amado por ambas e que as deixam para viver com outra mais nova. A amante deseja escrever um livro biografia que seja “ Realista” e não uma ficção. “ Toda ficção é mentirosa”. O livro contaria a história do triangulo amoroso e é esse o pretexto para a conversa muitas vezes incomodas entre as belas atrizes que protagonizam um tour de force poucas vezes visto no teatro. Melhor, repito, seria se o grande texto do Hare tivesse sido ouvido na sua totalidade.
    Hoje, domingo, é o ultimo dia da peça no TAM. Se a direção do teatro desejar que eu comente o teor da peça na sua integridade, me convide. Fiquei com a sensação de ter visto uma grande peça pela metade. Teatro é, sobretudo, VOZ. E os atores brasileiros precisam aprender a falar. A falar para o público.

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