SUMIDOURO

Por Carlos Gurgel

uma vida chora
tão cega de tudo
uma vida vai embora
largada pelo caminho
sem classe, graça, estudo
ossos, juízo, silêncio, pecados e histórias

uma vida
assim tão pouca
por entre espécimes e pernoites
dejetos e açoites

uma malamanhada respiração
tão morta que se vai pelos trancos
pulando sargaços, desgraças e encantos

uma vida assim
que molha de dor
como se fosse um orador
de crimes, rezas e espasmos
que espalha e suja de dó todo o espaço

umas vidas já tão sem hora
que se ajoelham tão com pressas
ao redor dos seus lixos, gritarias, tremores e pavores
todas sem amores, favores, sabores

essas vidas somos todos nós
passantes sem antes
ambulantes e distantes
estranhos pedantes
velhos e moços
um estorvo
um poço completo de porcos sem pouso.

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